60% dos brasileiros esperam viver com renda do INSS na aposentadoria

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60% dos brasileiros esperam viver com renda do INSS na aposentadoria

O valor médio pago pelo INSS aos aposentados é de R$ 2.124,72. Levantamento feito pelo INSS para o UOL revela que em junho 42,1 milhões de benefícios foram pagos. Destes, 29,1 milhões de segurados (70% do total) recebem apenas um salário mínimo. Já quem recebe o teto previdenciário, de R$ 8.475,55, está em um grupo de 13.642 beneficiários, menos de 0,04% do total.

Um salário sozinho do INSS não dá para a gente viver. Com R$ 1.600 não dá para você viver aqui em Brasília. Se eu não estivesse trabalhando para ganhar outra renda, eu não daria conta de pagar minhas contas. Celestina Rodrigues, aposentada.

Menos de um terço dos entrevistados pela Anbima citaram fontes de renda alternativas para a velhice. Continuar trabalhando após a aposentadoria é a expectativa de 15% dos brasileiros ativos, enquanto 13% esperam ter renda de aplicações financeiras e 5% consideram que se sustenta com previdência privada. Há ainda 11% que disseram não saber qual será sua fonte de renda na aposentadoria.

Diferenças por classe social

A dependência do INSS não afeta a todos da mesma forma. Para Billi, o olhar precisa ser feito com recorte social. “Para as classes C, D e E, a renda média atual é bem parecida com a renda média que se esperaria receber da previdência. Não é irracional para essas pessoas ter essa expectativa de se aposentar apenas com INSS”, explica. O motivo é que boa parte deste grupo trabalhou no mercado informal, enfrentou volatilidade de renda e até vulnerabilidade social.

Para as classes A e B, porém, a realidade é outra. Com um teto de R$ 8.475,55, Billi enxerga que é um problema de expectativas e falta de planejamento. Afinal, para pessoas com poder aquisitivo, isso se traduz em uma queda abrupta de renda. “Esperar manter o padrão de vida com aposentadoria pública é uma expectativa muito fantasiosa e descolada da realidade”, afirma o superintendente da Anbima.