Luiza Trajano: Me sinto protagonista do Brasil independente do que falam de mim

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Luiza Trajano: Me sinto protagonista do Brasil independente do que falam de mim

A senhora é uma defensora dos direitos humanos, mas sofre muitos ataques nas redes sociais de pessoas que ligam a senhora ao presidente Lula. Como lidar com a velocidade das redes sociais quando elas vão contra si?

Nem tudo é contra. Eu tenho 85% que são a favor. Enquanto não prejudica o Magazine Luiza, está tudo certo, porque quando passa desse ponto, está prejudicando 80 mil empregos que geramos, sejam diretos ou indiretos. Acho que é uma irresponsabilidade prejudicar o Magazine por uma posição que é minha, por uma posição democrática. Tenho o direito de defender causas. Eu não precisava estar defendendo. O que me deixa mais triste é quando ofende. Por outro lado, vou ter sempre pessoas que são a favor. Nunca vou ser unanimidade, eu nem espero isso. Então, para te falar a verdade, tenho desde os 13 anos a proposta de ser protagonista do Brasil. A empresa está há 30 anos entre as melhores empresas para se trabalhar, sem nunca ter saído. Tenho que seguir fazendo o que acredito. Nunca perguntei para a pessoa que trabalha comigo para quem ela ia votar. Eu nunca instiguei nenhum voto. Não fui convidada para ser vice do presidente Lula, mas é o que você falou. Quando sai nas redes sociais, não adianta desmentir. Você tem o ônus e o bônus de qualquer posição que você tomar. Não tem como eu só ter o bônus da posição que eu tomar. Só tem uma forma, se eu não fizer nada, se eu ficar quieta e se eu não lutar por nada. Só que eu te digo que se eu tivesse que recomeçar, eu continuaria lutando pelo negócio que tenha lucro, mas que tenha propósito. Quando você envelhece, ter um grupo e um propósito te deixa mais nova e mais cheia de vida.

Outra grande mobilização no mercado de trabalho é o fim da escala 6×1. O varejo é um dos setores mais expostos a essa possível mudança no regime trabalhista. A senhora também é favorável ao fim da escala 6×1 no Brasil?

É uma coisa muito polêmica porque, assim como um funcionário precisa ter o descanso, você não pode diminuir produtividade. É uma causa que precisa ser muito conversada entre todos os segmentos. Precisamos ouvir e escutar. Eu não sou nem contra e nem a favor, eu estou escutando a população porque é um direito dela também ter folga. Por exemplo, a mulher que trabalha seis dias por semana, ela não fica quase com a família. Por outro lado, ela precisa ganhar. Não pode afetar o salário dela, não pode afetar as leis do país e não pode afetar a produtividade. Como é que nós vamos resolver essa situação? Só conversando, só dialogando para chegar em um acordo.

A senhora entende que essa discussão é endereçada de forma correta pelos deputados e senadores? Falta ouvir algum dos lados?

Não, estou sentindo que virou mais uma polêmica de dois lados, sabe? Mais uma polêmica que não estão parando para conversar. Tudo está virando polêmica. Tudo está virando o sim pelo não, ainda mais num ano eleitoral.