Resenha sobre “Orgulho e preconceito”

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Resenha sobre “Orgulho e preconceito”

Orgulho e preconceito é um romance escrito por Jane Austen e publicado pela primeira vez em 1813. Grande clássico da literatura mundial, esse foi o quarto livro lido pelo Clube do Livro Brasil Escola, escolhido por meio da votação de nossos leitores em uma batalha envolvendo outros três livros com histórias de amor: O diário de uma paixão, de Nicholas Sparks, A hipótese do amor, de Ali Hazelwood, e Melhor do que nos filmes, de Lynn Painter. A seguir, você confere a resenha da obra e descobre o que nós achamos da leitura!

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Vale a pena ler Orgulho e preconceito?

Sim, com certeza, vale muito a pena ler Orgulho e preconceito. Esse livro de Jane Austen é um grande clássico da literatura mundial. E os clássicos são livros que nunca morrem! São clássicos por serem livros atemporais, que atravessam gerações e que continuam causando grandes impactos mesmo tantos anos após sua publicação.

Apesar de ter sido escrita entre 1796 e 1797 e de ter sido publicada pela primeira vez em 1813, a obra continua sendo muito relevante e capaz de provocar as mais diversas sensações no leitor por meio da escrita autêntica da autora, marcada pela ironia e pela sátira social.

Orgulho e preconceito é um daqueles livros que, sem sombra de dúvidas, você precisa ler na vida. É considerado por muitos como uma das maiores histórias de amor de todos os tempos, com a Elizabeth Bennet e o Sr. Darcy sendo considerado um dos maiores casais da literatura mundial. Esse, por si só, já é um grande motivo, mas está longe de ser o único!

Mediadoras do Clube do Livro Brasil Escola segurando o livro “Orgulho e preconceito”.
De Jane Austen, Orgulho e preconceito é um grande clássico da literatura mundial e foi o quarto livro lido do Clube do Livro Brasil Escola.

Mais do que apenas uma história de amor e indo muito além disso, a obra nos mostra o contexto sociocultural da época na qual foi escrita, característica marcante de um romance de época, um dos tipos de romance (gênero literário).

Além disso, é um dos principais livros de Jane Austen, que é considerada uma das maiores romancistas inglesas. Foi um dos primeiros livros escritos pela autora, além de ser o seu livro mais famoso. Você precisa ler para entender exatamente por quê, e eu garanto que você não vai se decepcionar!

O que você vai encontrar em Orgulho e preconceito?

Orgulho e preconceito é um romance de costumes e, por isso, retrata a realidade do final do século XVIII e do começo do século XIX, na Era Georgiana. A narrativa acontece na alta sociedade inglesa, em um contexto no qual a herança, o casamento e o comércio eram as únicas formas de ascensão social. Para além disso, as filhas mulheres não herdavam propriedades familiares, e, no caso de não haver filhos homens (herdeiro direto), a propriedade era deixada para um ramo colateral da família.

Dessa forma, as mães de todas as moças solteiras tinham como principal objetivo casar suas filhas o mais rápido possível, seja pela ascensão social, seja pela impossibilidade de herdar a propriedade da família, garantindo a elas um futuro estável.

É nesse contexto que temos nossa protagonista, Elizabeth Bennet, e sua família, formada pelos Sr. e Sra. Bennet e pelas suas irmãs, Jane, Mary, Catherine (Kitty) e Lydia. Elizabeth é a segunda filha mais velha, após Jane. A família Bennet mora em Longbourn, em Hertfordshire.

A história começa quando chega um novo cavalheiro à vizinhança, o Sr. Bingley, o que chama a atenção de todas as mães que possuem filhas solteiras, que mobilizam seus maridos a visitá-lo para que comecem a estabelecer uma relação. É o caso da Sra. Bennet, que busca convencer o Sr. Bennet a fazer essa visita à Netherfield Park, a residência recém-alugada pelo cavalheiro.

O Sr. Bingley, no entanto, não veio sozinho. Vieram com ele o Sr. Darcy e duas de suas irmãs, a Srta. Bingley e a agora Sra. Hurst, que veio com o marido, o Sr. Hurst. A estadia de todos não tinha prazo determinado.

Com os frequentes bailes e jantares, todos jantavam e estavam juntos com bastante frequência. Enquanto o Sr. Bingley era muito querido por todos, não se podia dizer o mesmo dos seus convidados, que não faziam questão de se fazerem queridos pelas demais pessoas daquela sociedade.

No primeiro baile, Elizabeth ouviu o Sr. Darcy queixando-se sobre o lugar e sobre todos, inclusive sobre ela, quando o Sr. Bingley apontou sua beleza, negada pelo outro cavalheiro. A partir disso, Elizabeth desenvolveu uma forte aversão pelo Sr. Darcy, que foi só se agravando devido aos seus modos e à sua indiferença com as expectativas sociais. Enquanto isso, a cada dia que se passava, o Sr. Bingley se afeiçoava à Jane, e ela se afeiçoava a ele.

Nesse mesmo contexto, embora desnecessária, uma das estratégias desesperadas usadas pela Sra. Bennet para que Jane conquistasse o afeto do Sr. Bingley foi não permitir que ela usasse a carruagem para visitá-los, o que fez com que ela fosse a cavalo e, com isso, fosse acometida por um forte resfriado que a deixou acamada em Netherfield Park por muitos dias. Esse acontecimento é muito importante na narrativa porque Elizabeth decidiu ir vê-la e ficar com ela, o que fez com que nossa protagonista convivesse com os moradores daquela casa, entre eles o Sr. Darcy. Com Jane recuperada, retornam à Longbourn.

Os acontecimentos se passam de forma rápida na narrativa, com momentos em que ocorrem grandes avanços de tempo, possibilitando um grande desenrolar na história, que possui uma grande quantidade de personagens.

Um dos personagens que possuem grande destaque é o Sr. Collins, que será o herdeiro de Longbourn. Ele decide visitá-los e, durante a visita, informa-os que pretende se casar com uma das filhas do Sr. Bennet, a fim de minimizar os impactos do fato de ser o herdeiro da propriedade da família.

Impossibilitado de propor à Jane e recusado por Elizabeth, o Sr. Collins casa-se com Charlotte Lucas, a vizinha e melhor amiga de Elizabeth, que se surpreende com a atitude da amiga. Todavia, Charlotte deixa claro que nunca teve intenção de se casar por amor, como era a intenção de Elizabeth, e faz um convite para que ela a visite em sua nova casa, em Hunsford.

Outro acontecimento que merece grande destaque é a chegada de um regimento em Meryton, que permeia grande parte da narrativa. Um dos personagens que se destacam nesse contexto é o Sr. Wickham, oficial que é um antigo conhecido do Sr. Darcy, com quem foi criado junto, e que muito negativamente fala dele e de sua irmã, Georgiana Darcy, para Elizabeth, o que apenas aumenta a aversão que ela já vinha nutrindo por esse cavalheiro.

Apesar da afeição do Sr. Bingley por Jane, inesperadamente, todos vão embora de Netherfield Park. Jane fica irremediavelmente triste e, por isso, é convidada por seus tios, os Sr. e Sra. Gardiner, que estavam de visita, para voltar com eles para Londres e se distrair. Ela aceita. Tempos depois, Elizabeth vai visitar Charlotte em Hunsford, aproveitando a oportunidade para ver como está Jane, sua irmã mais querida.

Já em Hunsford, e após visitar Jane, Elizabeth conhece Lady Catherine de Bourgh, a grande aristocrata que ampara os Sr. e Sra. Collins, e sua filha, Anne de Bourgh, que supostamente estaria prometida ao Sr. Darcy, seu primo.

Poucos dias após a chegada de Elizabeth, chegam à casa de Lady Catherine de Bourgh dois visitantes, seus sobrinhos: o Sr. Darcy e o Coronel Fitzwilliam. Eles passam a conviver mais frequentemente. Embora encantada com os modos do Coronel Fitzwilliam, Elizabeth continua sendo apenas cortês com o Sr. Darcy. Ela fica muito surpresa quando descobre, por meio do Coronel Fitzwilliam, que o Sr. Darcy foi o responsável pela partida do Sr. Bingley de Netherfield Park, a qual muito entristeceu sua querida irmã, um fato que apenas contribuiu para aumentar ainda mais sua aversão.

No dia anterior à partida dos cavalheiros, Elizabeth é surpreendida com uma visita do Sr. Darcy, que lhe fala da seguinte maneira:

— Em vão, tenho lutado. De nada adianta. Não posso mais reprimir os meus sentimentos. Permita-me que lhe expresse toda a veemência da admiração e do amor que sinto por você. |1|

Com isso, após elencar os diversos pontos negativos da união entre eles, ele lhe propõe em casamento. Quanto a tudo, Elizabeth permanece bastante espantada e, depois, fica furiosa e ofendida, uma vez que, entre os pontos apontados por ele, está a inferioridade da família dela, com a qual ele se uniria.

Após recusar, o que muito o surpreendeu, ela aponta os motivos para tal e cita o que fez ele com sua irmã e com o Sr. Bingley, contribuindo para afastá-los, e o que fez com o Sr. Wickham, negando-lhe um direito prometido pelo falecido Sr. Darcy e levando-o à pobreza por maldade (relato do Sr. Wickham a ela). Após esses acontecimentos, ainda muito surpreso, ele vai embora.

Na manhã seguinte, antes de partir, o Sr. Darcy entrega a ela uma carta, na qual explica seus atos em relação à Jane e ao Sr. Bingley, explicando que imaginou que sua irmã fosse indiferente aos sentimentos do seu amigo, além de enfatizar as muitas questões problemáticas relacionadas à sua família. Na carta, ele também conta a verdade sobre o que aconteceu com o Sr. Wickham, explicando que esse cavalheiro recusou o cargo que lhe fora prometido, pedindo dinheiro no lugar para cursar uma faculdade, o qual lhe foi dado (a faculdade não foi cursada), e que ele, posteriormente, quando o cargo ficou vago, pediu para assumir, pedido que não foi atendido devido à forma como procedeu até então. O Sr. Darcy também conta que, após essa recusa, o Sr. Wickham planejou raptar Georgiana e com ela se casar para conseguir seu dote. Esse planejamento foi feito com a ajuda da Sra. Younge, que dela cuidava. Antes que o plano fosse executado, Georgiana contou ao Sr. Darcy, e isso foi impedido.

Ao terminar de ler a carta, Elizabeth fica sem reação, sem acreditar ter se deixado enganar de tal forma sobre o caráter do Sr. Wickham e sentindo-se constrangida por ter pensado tão mal do Sr. Darcy. Ao voltarem para casa, conta para Jane a parte da carta sobre o Sr. Wickham e omite o que descobriu sobre a interferência do Sr. Darcy quanto ao Sr. Bingley, e as duas irmãs decidem que não precisam tornar públicos os fatos, pois o regimento está indo embora de Meryton. Lydia, no entanto, muito amiga da Sra. Foster, esposa do Coronel Foster, é convidada para passar um tempo com eles em Brighton, local para onde foi o regimento. Embora Elizabeth tente fazer o Sr. Bennet não permitir, não é capaz de convencê-lo, e ela vai com eles.

Semanas depois, Elizabeth viaja com os Sr. e Sra. Gardiner. A ideia original era visitar os Lagos, mas os planos são alterados devido à necessidade de encurtar a viagem. Eles, então, vão para a região de Derbyshire, com a intenção de visitar o local onde a Sra. Gardiner nasceu e passou sua infância. Também é em Derbyshire que fica Permberley, propriedade do Sr. Darcy. Já na região, a Sra. Gardiner manifesta o interesse de visitar a propriedade. Após confirmarem que o proprietário não estaria, eles partem para a propriedade na manhã seguinte, representada a seguir:

Representação de Pemberley, de “Orgulho e Preconceito”, feita por IA.
Representação de Pemberley feita por IA.

Elizabeth fica encantada com Pemberley e com tudo o que falam sobre o Sr. Darcy e sobre Georgiana. Apesar de ele só ser esperado no dia seguinte, ela e os Sr. e Sra. Gardiner são surpreendidos com sua chegada, e Elizabeth é ainda mais surpreendida com os seus modos para com todos eles, muito diferentes de tudo o que ela havia visto antes. Ele, inclusive, conta a ela que sua irmã gostaria muito de conhecê-la e pergunta se eles poderiam visitá-la na pousada quando ela chegar. Ela permite. Na manhã seguinte, eles a visitam junto ao Sr. Bingley. O Sr. Gardiner aceita o convite do Sr. Darcy para pescar em Pemberley em outra manhã, e a Sra. Gardiner e Elizabeth decidem retribuir a visita de Georgiana nesse mesmo dia.

Entretanto, a viagem de Elizabeth com os Sr. e Sra. Gardiner é encurtada com as cartas que Elizabeth recebe de Jane informando que Lydia fugiu com o Sr. Wickham. Eles imediatamente voltam para Longbourn. Depois de chegarem, o Sr. Gardiner parte para Londres, e o Sr. Bennet, que lá estava, volta para casa. Após alguns dias, o Sr. Bennet recebe uma carta do Sr. Gardiner informando que as dívidas do Sr. Wickham foram pagas e que tudo foi acertado para que ele se case com Lydia se o Sr. Bennet concordar com o dote proposto. Ele concorda. Eles se casam.

Em visita dos novos recém-casados a Longbourn, Elizabeth descobre por meio de Lydia que o Sr. Darcy esteve no casamento deles. Ela, então, escreve uma carta à Sra. Gardiner pedindo explicações, sendo plenamente esclarecida por sua tia, que lhe conta que foi na verdade o Sr. Darcy quem resolveu toda a situação entre Lydia e o Sr. Wickham, pagando tudo o que foi necessário para que o casamento acontecesse e conseguindo para ele um novo posto. Elizabeth, novamente, fica sem reação e completamente reflexiva, pensando se isso não poderia significar que ele ainda sente algo por ela.

Pouco tempo depois, recebem a notícia de que o Sr. Bingley retornará a Netherfield Park. No retorno, veio com ele o Sr. Darcy, o que muito impressionou Elizabeth. A afeição entre o Sr. Bingley e Jane continuava a mesma, e eles logo retomaram o contato, de modo que o Sr. Bingley passou a estar em Longbourn com mais frequência.

O Sr. Darcy precisou voltar temporariamente para Londres. Nesse curto período, aconteceram dois fatos importantes. O primeiro deles foi que o Sr. Bingley pediu Jane em casamento, para a alegria de todos. O segundo deles foi que Lady Catherine de Bourgh visitou Elizabeth para confirmar com ela que eram falsos os boatos que ouviu sobre um possível casamento entre ela e o Sr. Darcy e para fazer com que ela prometesse jamais se casar com ele. Elizabeth não fez tal promessa, o que a enfureceu.

Outros sentimentos foram provocados com essa ausência de promessa, pois, ao saber que ela se recusou a prometer nunca se casar com ele, o Sr. Darcy voltou a ter esperanças. De volta à Hertfordshire, em uma das caminhadas que fizeram juntos, ele disse a ela o seguinte:

— Sei que é generosa demais para brincar com os meus sentimentos. Se o seus ainda forem os mesmos de abril passado, diga-me sem hesitação. O meu afeto e os meus desejos não se alteraram, mas uma palavra sua bastará para que me cale sobre esse assunto para todo o sempre. |2|

Ao saber que os sentimentos de Elizabeth em relação a ele mudaram completamente, o Sr. Darcy alegrou-se como nunca antes. Por fim, casaram-se, assim como Jane e o Sr. Bingley. O casamento entre Elizabeth e o Sr. Darcy ocorreu não sem antes provocar espanto em toda a família, que jamais imaginaria tal união, inclusive Jane, de quem Elizabeth escondeu as ações do Sr. Darcy no que diz respeito à Lydia. Após ouvir todo o relato e a forma como a visão de Elizabeth mudou tão completamente sobre ele, Jane se deixou convencer e ficou feliz pelo noivado da irmã, assim como Elizabeth ficou feliz pelo dela. No final, deu tudo certo, apesar de todo o orgulho e de todo o preconceito que quase impediu que isso acontecesse!

Quem escreveu Orgulho e preconceito?

Quem escreveu Orgulho e preconceito foi Jane Austen, uma romancista inglesa. Ela nasceu em Steventon no dia 16 de dezembro, em 1775, e faleceu em 18 de julho de 1817, no contexto da Era Georgiana. Nunca se casou nem teve filhos.

Jane Austen foi a sétima filha de George e Cassandra Austen, que tiveram James, George, Edward, Henry, Cassandra, Francis, Jane e Charles. Seu pai, que esteve à frente de vários cargos da Igreja Anglicana e que se tornou reitor de Steventon, era preocupado com a educação dos filhos, o que permitiu que tanto Jane quanto seus irmãos tivessem igual contato com a intelectualidade da época.

Gravura de Jane Austen, autora de “Orgulho e preconceito”, feita por sua irmã Cassandra Austen.
Gravura de Jane Austen feita por sua irmã Cassandra Austen.

Jane Austen viveu parte de sua vida em Steventon, onde escreveu Lady Susan, um curto romance epistolar, e textos que compõem sua juvenília. Orgulho e preconceito foi o primeiro livro escrito pela autora, que foi seguido por Razão e sensibilidade e por A abadia de Northanger. Jane Austen também viveu em Bath e em Southampton.

Museu Casa de Jane Austen, localizado em Chawton, na Inglaterra, uma homenagem à autora de “Orgulho e preconceito”.
Museu Casa de Jane Austen, localizado em Chawton, na Inglaterra.

Apesar disso, foi em Chawton que ela encontrou maior estabilidade no que se refere à sua carreira como autora. Foi nesse local que, com a ajuda de seu irmão Henry, ela publicou Razão e sensibilidade, em 1811, e Orgulho e preconceito, em 1813, além de ter escrito Mansfield Park, publicado em 1814, Emma, publicado em 1815, e Persuasão. Persuasão e A abadia de Northanger foram publicados postumamente. Entre janeiro e março de 1817, ela escreveu o que se tem hoje de Sanditon, um novo romance que foi deixado inacabado. As obras de Jane Austen retratam a realidade da época a partir de uma perspectiva crítica sagaz, o que contribuiu para que seu legado não fosse perdido ao longo dos séculos.

Afinal, nós gostamos de Orgulho e preconceito?

Opinião da Lara

Sou completamente suspeita para falar, pois Orgulho e preconceito é o meu livro favorito! Dizer que gostei do livro não exprime bem o suficiente o quanto fazer essa (re)leitura foi uma experiência maravilhosa. Esse é um daqueles livros que, não importa quantas vezes você leia, continua sendo excelente: a escrita de Jane Austen é incrível, pois, ao mesmo tempo que a autora nos arranca risadas e nos diverte, faz profundas críticas sociais por meio de sua forma tão característica de falar sobre a sociedade.

Orgulho e preconceito é uma obra genial. Nele, temos Elizabeth Bennet como uma protagonista forte que se recusa a se casar se não for por amor. Isso contraria completamente o esperado para a época, além de ser completamente impensável naquele contexto! Para além disso, vemos, em mais de um sentido, como é possível tirar conclusões precipitadas muito rapidamente sobre as pessoas e os impactos disso, além do quanto se pode equivocar quanto a isso. Por fim, temos um amor construído a partir de uma completa mudança de perspectiva e de opinião. É uma história de amor, sem dúvidas, mas também é sobre segundas chances, de ambas as partes: tanto do Sr. Darcy quanto de Elizabeth. É lindo de se ver!

A crítica social que Jane Austen faz na obra está em tudo: na visão de mundo do Sr. Darcy e de muitos que estão ao seu redor e que também são ricos, tais como a Srta. Bingley, Lady Catherine de Bourgh, entre outros, mas também de forma muito presente na família Bennet. Isso, inclusive, é o que faz com que aconteça da forma como acontece uma das minhas partes favoritas do livro: a primeira proposta de casamento do Sr. Darcy a Elizabeth.

Honestamente, sempre me diverte muito ler essa proposta porque ele acreditava mesmo que ela não o recusaria, especialmente pelo fato de ser rico. Esse momento do livro foi o responsável por produzir alguns dos melhores memes literários que existem, como o seguinte:

Meme de “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen.
Um dos muitos memes derivados da primeira proposta do Sr. Darcy a Elizabeth em Orgulho e preconceito.

A mudança de opinião e de perspectiva do casal, no entanto, é responsável pela minha parte favorita no livro todo: a segunda proposta de casamento do Sr. Darcy a Elizabeth, que acontece bem próximo ao final do livro, aceita por ela e representada a seguir:

Representação feita por IA da segunda proposta de casamento do Sr. Darcy a Elizabeth Bennet, de “Orgulho e preconceito”.
Representação feita por IA da segunda proposta de casamento do Sr. Darcy a Elizabeth Bennet.

Não posso deixar de falar, também, sobre o quanto me deixa encantada a parte do livro em que ela visita Pemberley e se depara não apenas com um lugar lindo, mas também com um Sr. Darcy completamente diferente, com modos muito mais gentis do que ela poderia sequer imaginar. Esse foi o começo que levou ao final que eu tanto queria!

Aproveitando a temática dos casamentos na obra, quero compartilhar com vocês um sentimento: fico sempre me perguntando quando leio se não teria sido uma estratégia mais interessante para todos se a Sra. Bennet não tivesse tentado estimular o casamento entre o Sr. Collins e a Mary, pois os dois parecem ter ideias muito parecidas. Em mais de uma ocasião, fazem reflexões muito semelhantes. Acredito que isso teria resolvido a questão de Longbourn com facilidade e que ela, inclusive, seria feliz. Prova disso, para mim, é o seguinte trecho, após o Sr. Collins ter pedido Charlotte Lucas em casamento:

A seguir, e com as devidas cortesias, as damas retiraram-se, igualmente surpreendidas por vê-lo cogitar um regresso tão rápido. A Sra. Bennet quis enxergar nisso uma intenção de fazer a corte a uma de suas filhas mais novas — e Mary bem poderia ser persuadida a aceitá-lo. Ela tinha em muito melhor conta as capacidades do Sr. Collins que qualquer uma das irmãs. Havia uma solidez nas suas reflexões que frequentemente a impressionava; e, embora ele não fosse de todo tão inteligente quanto ela, acreditava que, uma vez inspirado pelo seu exemplo a ler e a aperfeiçoar-se, poderia tornar-se uma companhia muito agradável. Mas a manhã seguinte veio dissipar todas as esperanças nesse sentido. A Srta. Lucas chegou pouco depois do café da manhã e, em uma conversa privada com Elizabeth, relatou-lhe os acontecimentos do dia anterior. |2|

O que acham disso?

É após dizer tudo isso que afirmo, sem sombra de dúvidas, que, quase três séculos depois de sua publicação, Orgulho e preconceito continua sendo um livro que diverte, que encanta, que ensina e que provoca reflexões. Se você ainda não leu esse grande clássico, recomendo que o faça, pois você não vai se arrepender!

Opinião da Nay

Um grande clássico da literatura mundial e não é à toa. Que deleite ler esse livro! Jane Austen é uma mulher à frente de seu tempo. A autora traz críticas de situações sociais da sua época, e elas vêm junto com um humor irônico e perspicaz. Não é um livro para pessoas acostumadas ao senso de urgência de hoje: tudo é construído e resolvido com paciência, sem pontas soltas.

Aqui, temos um verdadeiro enemies to lovers, mesmo há centenas de anos de o termo ser inventado. O casal Elizabeth e Sr. Darcy passa por muitos percalços até ser consolidado, e a maioria deles por preconceito e por orgulho, como o título mesmo diz. É uma grande rede de fofocas — um disse-me-disse que se torna julgamento sem saber a realidade do caráter alheio.

O que mais chama a atenção na obra de Austen, com certeza, é a estrutura da sociedade da época. Casamentos por conveniência, preconceito de classe, etiquetas sociais sem sentido (inimaginável sermos obrigados a visitar novos vizinhos hoje, não é mesmo?), a reputação da mulher sendo objeto de julgamentos e heranças que eram passadas apenas para herdeiros homens.

Dá para fazer um bom julgamento de todos: Elizabeth e Darcy parecem ser os únicos racionais ali. Jane vive no mundo da lua e vê o bem em tudo, as irmãs Kitty e Lydia são adolescentes inconsequentes, a mãe é uma obcecada em riqueza e chamaria até de narcisista (ela não perde oportunidade de ser cuidada ao menor sinal de um problema) e o pai é um passivo que não toma as rédeas da família e prefere a fuga para a sua biblioteca.

Para amantes de romance romântico, um final feliz. É o tipo de livro para se ler antes de morrer e não ter dúvidas da genialidade e da atemporalidade da obra.

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Live de encerramento do ciclo de leitura de Orgulho e preconceito

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Curiosidades sobre Orgulho e preconceito

  • O primeiro título de Orgulho e preconceito, na verdade, era outro. O título original era Primeiras impressões (First impressions). Anos depois, após revisar a história, Jane Austen mudou para o que conhecemos.

  • O pai de Jane Austen, George Austen, tentou publicar o livro pela primeira vez em 1797, ainda com o título Primeiras impressões (First impressions), enviando o manuscrito para o editor Thomas Cadell, que rejeitou o livro sem sequer ter lido. A publicação aconteceu apenas em 1813, após a publicação de Razão e sensibilidade, e por meio do editor Thomas Egerton.

  • Orgulho e preconceito foi publicado de forma anônima, sem o nome de Jane Austen. A capa dizia apenas que a obra tinha sido escrita By a Lady (Por uma dama).

  • Ao longo dos tempos, foram feitas diversas adaptações desse clássico. Algumas das mais consagradas são o filme de 2005, considerado a melhor adaptação para o cinema, e a série de 1995, produzida pela BBC e considerada a adaptação mais fiel da obra.

Capa de duas das principais adaptações de “Orgulho e preconceito”, clássico escrito por Jane Austen.
Duas das principais adaptações de Orgulho e preconceito, clássico escrito por Jane Austen.

  • Existem muitas fanfics (narrativas escritas por fãs) sobre Orgulho e preconceito. Algumas das mais famosas são:


    • Orgulho e preconceito e zumbis, de Seth Grahame-Smith;

    • O diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange;

    • As sombras de Longbourn, de Jo Baker.

  • Jane Austen e sua irmã Cassandra tinham uma relação muito próxima, e isso influenciou a representação da relação de duplas de irmãs em diversos dos seus livros, como, por exemplo, Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade.

  • Embora Orgulho e preconceito tenha feito um sucesso razoável enquanto Jane Austen ainda era viva, muito do grande sucesso obtido por essa e por outras de suas obras ocorreu postumamente.

Notas

|1| AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. Tradução de Ângela Miranda Cardoso e Maria João da Rocha Afonso. Belo Horizonte: Autêntica, 2025. p. 168.

|2| AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. Tradução de Ângela Miranda Cardoso e Maria João da Rocha Afonso. Belo Horizonte: Autêntica, 2025. p. 315

|3| AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. Tradução de Ângela Miranda Cardoso e Maria João da Rocha Afonso. Belo Horizonte: Autêntica, 2025. p. 114

Créditos de imagem

Editora Autêntica (reprodução)

R ferroni2000 / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

AUSTEN, Jane. Cartas de Jane Austen. Tradução de Renata Cristina Colasante. São Paulo: Martin Claret, 2023.

AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. Tradução de Ângela Miranda Cardoso e Maria João da Rocha Afonso. Belo Horizonte: Autêntica, 2025.

AUSTEN-LEIGH, James Edward. Uma memória de Jane Austen. Tradução de Stephanie Savalla e Bruno José Loureiro. Vitória: Pedrazul Editora, 2014.