CEO do Itaú diz ser ilógico responsabilizar banco pela fraude da Americanas

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CEO do Itaú diz ser ilógico responsabilizar banco pela fraude da Americanas

“É ilógico imaginar que você, sendo mais uma vítima relevante da fraude, possa ter participado de uma fraude em que você perde bilhões de reais. A gente está diante de umas maiores fraudes já vistas no país. O caso das Americanas é bem emblemático. Saindo do ambiente da companhia, dos administradores, todos os demais no entorno são vítimas de uma fraude gigantesca.”

Questionado se os bancos também não teriam ganhado muito dinheiro ao financiar as dívidas das Americanas antes das fraudes, ele respondeu:

“Mesmo que você considere as receitas geradas nos períodos anteriores dessas operações de risco sacado, os bancos, o sistema financeiro como um todo, perderam bilhões de reais. Então, se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é super negativo. Fazer uma fraude que você sabe que vai explodir e que os bancos vão ter perdas bilionárias, é uma fraude ilógica.”

Ele ressaltou que os bancos não tinham visibilidade do total do endividamento da companhia e que as discussões sobre a natureza do passivo em torno das cartas de circularização diziam respeito à classificação e não à ocultação de informação.

“O que se discutia na época era se ela classificava as suas operações entre endividamento bancário ou endividamento de fornecedor. Ninguém imaginava que eles estavam ocultando o passivo. Mas para eles não era uma discussão de classificar entre fornecedor e bancos, mas de omitir e ocultar.”

Maluhy disse ainda que o banco “sempre foi muito exigente nas informações e dados que teriam que ser prestados” e que a responsabilidade final pela contabilidade é exclusiva da companhia. “A carta de circularização é apenas um apoio para o auditor, mas a responsabilidade pela contabilidade é da companhia. E o auditor tem um papel super relevante, e ele pode se valer da carta de circularização. Então, no fundo, essa é uma fraude sem precedentes e que cabe exclusivamente à companhia. A gente refuta qualquer tentativa de trazer qualquer banco do sistema, não estou falando do Itaú, estou falando do sistema financeiro, para essa discussão. Agora a justiça tá aí, haverá tempo, naturalmente, para todos se explicarem.”