Professor não se vê como avaliador
Professores, categoria em que me incluo, ainda não sabem avaliar direito. A afirmação ganha contornos mais precisos com um estudo de pesquisadores das Universidades Federal e Estadual do Ceará (UFC e UECE), que analisaram o cenário global e nacional sobre o tema em uma metanálise, espécie de síntese das pesquisas que já foram publicadas sobre um determinado assunto.
A metanálise realizou uma síntese de 13 estudos publicados entre 2019 e 2024 para investigar o chamado letramento em avaliação. Trata-se do conjunto de saberes e habilidades que permitem ao professor o uso crítico e consciente da avaliação em diversos contextos. Envolve o domínio conceitual (definições e tipos), o conhecimento das ações para avaliar e as finalidades do processo.
Uma das conclusões é que o professor não se vê como alguém responsável por avaliar. “Ele se identifica como professor, na dimensão do ensino, do domínio do conteúdo, mas raramente ele se identifica como avaliador”, explica Carlos Renêe Martins Maciel, professor da rede pública de educação em Fortaleza e do Ceará, doutorando na UFC e um dos autores do estudo. “Embora a avaliação seja parte intrínseca da prática profissional, muitos a reduzem a uma prova que quantifica quem tirou zero ou dez.”
Renêe, como é conhecido pelos colegas, reforça que essa lacuna é fruto da falta de formação específica. Daniel Brandão Menezes, professor da UECE e também autor do estudo, dá números à carência. “Num curso tradicional de licenciatura, que forma professores especialistas para o ensino Fundamental ou Médio, menos de 2% do currículo se dedica ao tema da avaliação”.
Superar a avaliação como julgamento
O resultado é que persiste o que os estudiosos chamam de avaliação de “primeira geração” — focada no julgamento de quem está aprovado ou reprovado. que utiliza a avaliação apenas como julgamento de valor para aprovar ou reprovar.