Por Ana Claudia Paixão – via MiscelAna
Mais de quatro décadas depois da morte de Elis Regina, ainda há uma Elis pouco conhecida pelo público. É justamente essa mulher — mãe, amiga, dona de casa e presença poderosa longe dos palcos — que ganha espaço em Elis & Eu, documentário inspirado no livro de João Marcello Bôscoli e que estreia em 25 de agosto no Universal+.
Dirigido por André Bushatsky, o filme reúne imagens raras, dramatizações e depoimentos de nomes como Wanderléa, João Bosco e César Camargo Mariano, além de registros de Rita Lee, Tom Jobim, Milton Nascimento e Ronaldo Bôscoli.
João Marcello, porém, faz questão de esclarecer que não participou das decisões do documentário. Bushatsky leu Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, procurou o autor e desenvolveu o projeto de maneira independente. O filho de Elis só viu o resultado quando o filme estava pronto.
“A minha contribuição foi fazer o livro“, afirma. A experiência acabou sendo especialmente emocionante porque algumas lembranças que existiam apenas em sua memória ganharam representação na tela. “Ver essa memória ganhando forma é muito emocionante”, contou.
O documentário também apresenta histórias que o próprio João Marcello desconhecia e amplia uma dimensão de Elis que ficou menos registrada do que sua carreira: a vida dentro de casa. Ele lembra que a cantora gostava do termo “dona de casa” e acredita que sua rotina doméstica não competia com a artista — ao contrário, fazia parte dela.
“A artista se alimenta muito da figura como um todo. Ela é mãe, é amiga, tem o trabalho dela e tem a face pública. Essa face pública é a mais conhecida“, explica.
João Marcello recorda ainda uma Elis extremamente firme, mas também generosa: capaz de ajudar discretamente amigos em dificuldades financeiras, visitar a mãe de Aldir Blanc no hospital antes de um show e reunir compositores para alertá-los sobre seus direitos. Para definir essa combinação de poder e afeto, usa uma expressão precisa: “uma força quente”.
E esse legado continua chegando a novas gerações. Quando a recente homenagem de Rosalía a Elis, que cantou um trecho de Águas de Março no seu show no Rio foi mencionada na conversa, João Marcello reagiu com entusiasmo e bom humor.
“Rosalía… quase que eu fiz uma tatuagem da Rosalía. Quem ama a minha mãe, eu já acho tudo um máximo“, brincou.
A reação ajuda a explicar uma preocupação que o acompanha desde que escreveu o livro: que Elis não seja esquecida. Para João Marcello, a descoberta internacional de sua obra ainda está longe de terminar.
“A Elis Regina é uma das últimas joias a serem descobertas pelo planeta no campo da música. E será, em algum momento.“
Elis & Eu estreia em 25 de agosto no Universal+, disponível por Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play.
