A bola começa a rolar para a Serie A 2026/27 em um momento particularmente importante para o futebol italiano. Depois de ficar fora das últimas três edições da Copa do Mundo, a Itália tenta encontrar caminhos para recuperar espaço entre as principais potências do futebol mundial. A resposta passa por uma transformação que envolve desde a formação de jogadores até os estádios, o calendário e a distribuição das receitas dos clubes.
Para o torcedor brasileiro, a nova temporada terá ampla cobertura. ESPN e Disney+ serão responsáveis pela transmissão dos 380 jogos da Serie A, enquanto a CazéTV exibirá uma partida por rodada, também disponível no Disney+.
Em campo, a disputa pelo Scudetto segue como principal atração. Mas, em um futebol italiano que tenta se reorganizar depois de anos de perda de espaço no cenário europeu, a temporada também será um retrato das mudanças que começam a ser discutidas fora das quatro linhas.
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Serie A: Formação de jogadores italianos ganha peso
Um dos principais desafios da reformulação do futebol italiano é aumentar a presença de jogadores formados no país. O número de italianos entre os protagonistas da Serie A vem diminuindo, e os números da última temporada ajudam a explicar a preocupação.
Em 2025/26, apenas 89 dos 284 jogadores que atuaram por pelo menos 30 minutos por partida na Serie A eram italianos. Uma das propostas em discussão tenta mudar esse cenário ao criar vantagens financeiras para os clubes que apostarem em atletas italianos sub-23.
Pelo modelo estudado, 50% dos custos relacionados a esses jogadores poderiam ser retirados dos critérios de sustentabilidade financeira. Salários, valores de transferências e encargos sociais entrariam no cálculo.
Na prática, a medida reduziria o peso financeiro da aposta em jovens e poderia fazer com que a formação deixasse de ser vista apenas como uma obrigação para se tornar também uma opção vantajosa para os clubes.
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Direitos de TV podem beneficiar clubes que investem na base
A divisão do dinheiro dos direitos de transmissão também está entre os pontos que podem mudar. Uma das propostas prevê que pelo menos 15% das receitas de direitos audiovisuais da Serie A sejam distribuídas com base em critérios ligados à valorização e à sustentabilidade dos clubes.
Nesse modelo, 50% desse montante iriam para as categorias de base. Outros 30% seriam calculados de acordo com indicadores de sustentabilidade econômica, enquanto 10% levariam em conta a utilização de jogadores formados na Itália. Os 10% restantes seriam destinados à qualidade da infraestrutura. A lógica é simples: quem investir mais em formação, estrutura e sustentabilidade teria acesso a uma parcela maior das receitas.
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A reformulação também passa pelo mercado de transferências entre os próprios clubes italianos. A ideia é aumentar a circulação de jogadores dentro do país e diminuir a dependência de atletas estrangeiros.
Uma das propostas prevê a criação de um fundo de garantia para o mercado, que poderia reduzir os custos com seguros e garantias financeiras nas negociações.
A medida pode ser especialmente relevante para clubes de menor orçamento, que teriam mais segurança para contratar e negociar jogadores. O cenário desejado é que um atleta seja formado na Itália, ganhe espaço na Serie A e, posteriormente, movimente o mercado nacional, gerando receitas para os clubes envolvidos em sua formação.
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A Itália será uma das sedes da Eurocopa de 2032, ao lado da Turquia, e precisa modernizar sua infraestrutura para receber a competição. Em 2026, 13 cidades italianas apresentaram 16 projetos de estádios. Cinco serão escolhidos para receber partidas do torneio.
A modernização das arenas, no entanto, vai muito além da Euro. Estádios mais modernos podem aumentar as receitas com ingressos, hospitalidade, lojas, eventos e outros serviços oferecidos aos torcedores.
É justamente nesse ponto que o futebol italiano tenta se aproximar de outras grandes ligas europeias, que transformaram os estádios em importantes fontes de receita durante toda a semana, e não apenas nos dias de jogo.
