Diante de uma dúzia de repórteres e alguns moradores locais, uma equipe de coveiros vestindo macacões de proteção descartáveis e máscaras faciais começou, na sexta-feira (21), a sepultar alguns dos muitos migrantes que morreram durante uma travessia em massa para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, há três semanas.
Um líder religioso muçulmano proferiu uma breve oração enquanto os trabalhadores depositavam os quatro primeiros corpos — envoltos em sacos funerários brancos — em sepulturas revestidas de blocos de concreto, lado a lado, no cemitério muçulmano de Ceuta, ao mesmo tempo em que carros funerários traziam mais corpos.
O administrador interino do cemitério, Said Mohammed, informou que o plano é sepultar cerca de 70 corpos nos próximos dias, em um ritmo de 10 a 18 enterros por dia.
Cerca de 95% das pessoas que estão sendo enterradas ainda não foram identificadas, mas cada sepultura foi marcada com uma pedra numerada para o caso de o corpo vir a ser reclamado e repatriado futuramente, disse ele.
As autoridades afirmam que entre 5.000 e 8.000 pessoas permanecem em Ceuta após a travessia de pelo menos 72.000 pessoas vindas do Marrocos em 30 de julho — um movimento em massa que resultou na morte de dezenas de migrantes no lado espanhol da fronteira, além de outras 14 mortes confirmadas pelo Marrocos.
Os migrantes foram enterrados segundo os ritos muçulmanos, que exigem que o corpo seja colocado voltado para Meca e coberto com terra.
As autoridades conseguiram identificar apenas seis migrantes, todos homens adultos marroquinos, de acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo tribunal de Ceuta.
