A partir de 1º de setembro, aquele tempo que as pessoas tinham para reivindicar um Pix feito de uma forma inautêntica vai aumentar de 30 dias para 80 dias. Isso é muito bom, porque nem todo mundo se liga de imediato que caiu num golpe. Vai dar mais tempo para as pessoas notarem que caíram num golpe, levantar a mão e falar: ‘Opa, banco, devolve meu dinheiro’. E esse prazo também vale para o banco, porque o banco tem que rastrear esse dinheiro e pegar ele de volta.
Helton Simões Gomes
A extensão do prazo ajuda, porque nem todo mundo acompanha o saldo diariamente, e o aviso às vezes vem de terceiros.
Já a mudança “invisível” mira o caminho do dinheiro depois do golpe. Desde 10 de agosto, os bancos passaram a rastrear valores transferidos pelo Pix e após sinalização de fraude.
Basicamente, eles colocam uma tag numa transação, e aí o dinheiro que vai pulando de conta em conta vai com essa tag. Suponha que eu só notei o golpe três dias depois, mas esse dinheiro passou por seis contas. O banco identifica que o dinheiro saiu da minha conta e coloca a tag lá no começo e percebe que ela já está na sexta conta.
Helton Simões Gomes
Helton afirma que esse rastreamento ficou mais amplo depois que os bancos passaram a aderir ao MED 2.0, segunda versão do Mecanismo Especial de Devolução. Na etapa anterior, o sistema mapeia somente até a primeira conta que recebeu o dinheiro.
Segundo Helton, o conjunto de ações visa a restringir fraudes sofisticadas que tem atingido lojistas e pequenos empresários como o “golpe do MED”. A fraude começa quando um suposto cliente diz ter feito um Pix errado e pede a devolução; depois, aciona o mecanismo de devolução no banco para recuperar o valor original e ainda ficar com o dinheiro que o comerciante enviou.
