Uma medida defendida por Quintana é a ampliação do uso de tecnologias, especialmente no rastreamento do gado, essencial para acompanhar as práticas adotadas pelos produtores. O rastreamento já é previsto nos planos ABC, vigente de 2010 a 2020, e ABC+, de 2020 a 2030, do Ministério da Agricultura, mas começou a avançar apenas há três anos. De acordo com ele, “ainda há um caminho longo a ser percorrido” para aperfeiçoá-la.
Um chip, geralmente instalado na orelha do animal, é conectado a uma central de dados e permite o acompanhamento de todo o ciclo de sua vida: local de nascimento, de engorda e de abate, vacinas e alimentação. Também ajuda a gerar dados oficiais, hoje não disponíveis em todas essas etapas, por exemplo sobre número de cabeças monitoradas e de propriedades que já adotam a prática, informações que podem orientar políticas específicas para cada região.
Na opinião de Michelle Borges, gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, a adoção dessas práticas pode ser maior do que indicam os dados atuais. Falta, diz ela, um padrão nacional de informações. Os números disponíveis não retratam completamente o setor e há divergências, por exemplo, até sobre o tamanho do rebanho.
A associação reúne mais de 60 organizações de todos os elos da cadeia pecuária e defende linhas de crédito específicas para práticas sustentáveis, especialmente para pequenos produtores. Entre as prioridades do setor, Michelle destaca a integração lavoura-pecuária-floresta, rastreabilidade e capacitação dos produtores, além de políticas públicas e subsídios governamentais.
Apesar da redução dos desmatamentos, o Brasil não deve conseguir atender seu primeiro compromisso estabelecido pela NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), uma espécie de prévia voluntária sobre as emissões totais de 2025. O resultado será divulgado em outubro.
David Tsai, coordenador do Seeg, afirma que as projeções apontam para um aumento das emissões no ano passado. Se confirmadas, o resultado será 9% superior ao limite da meta climática, que prevê corte de 37% nas emissões até 2025 em relação a 2005. Outro compromisso, o de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, provavelmente também não será cumprido, ficando para 2035.
