Austríaco decidiu encerrar a carreira como piloto profissional após os acidentes que abalaram a Fórmula 1 em 1994
Muito antes de se tornar um dos principais nomes do paddock da Fórmula 1, Toto Wolff sonhava em construir uma carreira como piloto profissional. O austríaco chegou a competir em categorias de base e, no início dos anos 1990, dava os primeiros passos para tentar chegar ao topo do automobilismo.
Aos 20, 21 anos, Wolff competia profissionalmente e chegou a liderar uma categoria europeia logo em sua estreia. Apesar de reconhecer que ainda precisava melhorar a consistência dos resultados, ele acreditava que tinha condições de construir uma carreira no automobilismo.
Foi em 1994, porém, que sua relação com as pistas mudou completamente.
Naquele ano, a Fórmula 1 viveu um dos períodos mais trágicos de sua história. Primeiro, Roland Ratzenberger morreu durante o fim de semana do GP de San Marino, em Imola. No dia seguinte, Ayrton Senna também sofreu um acidente fatal durante a corrida.
Pouco tempo depois, outro acidente envolvendo um piloto austríaco aumentaria ainda mais o impacto daquele período sobre Wolff.
Durante o GP de Mônaco de 1994, Karl Wendlinger sofreu um grave acidente e ficou em coma por semanas. O piloto era amigo de Wolff e, além disso, os dois compartilhavam o mesmo patrocinador.
A situação teve um impacto profundo sobre o patrocinador, que decidiu comunicar a Wolff que não queria mais assumir a responsabilidade por sua segurança.
“Eu não quero ser responsável pelo seu bem-estar”, teria dito o patrocinador, segundo o relato de Wolff.
Apesar de garantir que continuaria pagando o piloto até o fim da temporada de 1994, a situação fez Wolff tomar uma decisão inesperada: abandonar imediatamente a carreira.
Em entrevista ao podcast da SAP, Wolff contou que sua decisão foi praticamente intuitiva. Ao perceber que perderia o apoio financeiro que sustentava sua carreira e depois de acompanhar de perto as consequências do acidente de Wendlinger, decidiu colocar um ponto final na trajetória como piloto.
“Foi uma espécie de decisão intuitiva. Sabendo que precisava daquele apoio e que ele havia acabado, pensei: ‘vamos parar agora’”, contou.
A decisão surpreendeu o chefe de sua equipe e as pessoas que trabalhavam ao seu redor. Afinal, Wolff estava no início de sua carreira e ainda acreditava que poderia avançar no automobilismo europeu.
Para ele, entretanto, naquele momento fazia sentido simplesmente encerrar o projeto.
“Basicamente, puxei o plugue no meio da temporada. Foi incompreensível para meu chefe de equipe e para todo o grupo. Eu disse: ‘não, a carreira termina aqui’.”
Wolff também fez questão de esclarecer que o acidente responsável por encerrar sua carreira não foi o famoso acidente que sofreu no Nürburgring, em 2009.
Na ocasião, já muitos anos depois de abandonar as pistas profissionalmente, o austríaco sofreu um forte impacto a aproximadamente 189 mph, equivalente a cerca de 304 km/h. O acidente provocou uma concussão grave e fez com que ele perdesse alguns sentidos temporariamente.
Apesar da gravidade daquele episódio, sua carreira como piloto já havia terminado muito antes.
“Eu teria conseguido construir uma carreira”
Olhando para trás, Wolff acredita que poderia ter seguido profissionalmente no automobilismo caso tivesse tomado outra decisão.
O atual chefe da Mercedes afirmou que, em retrospectiva, está bastante seguro de que teria conseguido construir uma carreira como piloto profissional. Ao mesmo tempo, reconhece que não sabe onde estaria atualmente caso tivesse escolhido continuar.
“Tenho certeza de que teria construído uma carreira como piloto profissional, mas onde eu estaria hoje, aos 50 e poucos anos? Provavelmente não estaria tão satisfeito quanto estou hoje”, refletiu.
A decisão tomada aos 22 anos acabou mudando completamente o caminho de Wolff dentro do automobilismo.
Em vez de permanecer dentro de um cockpit, ele construiu uma carreira no lado empresarial e administrativo do esporte, tornando-se investidor, dirigente e, posteriormente, uma das figuras mais importantes da Fórmula 1 como chefe e coproprietário da Mercedes.
O abandono precoce das pistas, portanto, não significou o fim da relação de Toto Wolff com o automobilismo. Foi apenas o começo de uma trajetória completamente diferente, e que décadas depois o levaria ao comando de uma das equipes mais vitoriosas da história recente da Fórmula 1.
