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Após famosas como Oprah Winfrey, Kim Kardashian e Virginia Fonseca aparecerem fazendo o Xerf, nova máquina de radiofrequência monopolar desenvolvida na Coreia do Sul e distribuída no Brasil pela Contourline, ela caiu nas graças (e na curiosiade) do público.
O aparelho promete estimular intensamente a produção de colágeno como nenhum outro faz. E não é sucesso só entre as celebridades: já se tornou o queridinho em consultórios e até em congressos de dermatologia.
Mas perguntas inevitáveis surgiram: o que realmente o diferencia de outras máquinas? As promessas têm respaldo científico? E quem, de fato, pode se beneficiar com o tratamento?
A evolução da radiofrequência monopolar
Essa classe de tecnologias, via de regra, funciona da mesma forma: ondas eletromagnéticas são enviadas uniformemente a uma frequência de 6,78 megahertz para dentro do tecido, que, ao encontrar resistência à passagem dessa energia, acumula uma parte na forma de calor.
O objetivo é aquecer profundamente a pele para contrair as fibras de colágeno, desencadeando uma resposta de reparo que ativa os fibroblastos, as células responsáveis pela produção de colágeno novo. Isso acontece sem machucar a superfície da pele, pois há um sistema de resfriamento automático para proteger a epiderme.
A lógica deu tão certo que a radiofrequência monopolar pioneira, uma máquina chamada Thermage, acabou sendo o primeiro equipamento autorizado pelo FDA para tratar rugas e flacidez sem cirurgia, lá em 2002.
Naquela época, porém, o procedimento ficou conhecido pelo grande desconforto durante a aplicação: embora já utilizasse resfriamento para proteger a superfície da pele, o aquecimento profundo ainda era meio irregular, e não haviam recursos para controlar a experiência térmica do paciente.
Por muitos anos, então, a radiofrequência perdeu espaço para outras tecnologias, como lasers e ultrassom microfocado.
Até que, 20 anos depois, uma nova geração de aparelhos começou a apostar em ponteiras maiores, sistemas de resfriamento mais eficientes, monitoramento da energia e formas mais controladas de entregar os disparos. A promessa era manter o princípio que já funcionava mas tornar a experiência mais confortável e o aquecimento mais previsível.
Foi um sucesso: máquinas como TenTherma, Oligio X, Volwnewmer e Coolfase dominaram as clínicas prometendo “desamassar” a pele, melhorando linhas finas e estimulando a produção de colágeno.
Xerf: a evolução da evolução
A máquina XERF, desenvolvido pela Cynosure Lutronic, uma das principais empresas globais em tecnologias médicas para estética, dá um passo além ao combinar duas frequências: 6,78 MHz e 2 MHz. Isso faz o aparelho alcançar, ao mesmo tempo, diferentes profundidades da pele e até a camada muscular que sustenta os tecidos faciais.
“A frequência influencia diretamente na profundidade do aquecimento. A 6,78 MHz, o padrão das radiofrequências monopolares, é possível atingir a derme. Mas a uma frequência de 2 MHz, que só o Xerf tem, é possível ir mais fundo, atingindo a capinha do músculo que faz a sustentação da face e os ligamentos que sustentam a gordura do rosto”, explica a médica Daniela Aidar, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Ela afirma que estamos diante da primeira radiofrequência monopolar volumétrica de alta intensidade multifrequencial, ou seja, que remodela o colágeno em várias camadas e é capaz de promover resultados profundos imediatos.
Na prática, a ideia é criar um tratamento em completo com apenas uma máquina: primeiro, trabalhar a derme, onde estão boa parte das fibras de colágeno responsáveis pela firmeza e pela qualidade da pele; depois, alcançar estruturas de sustentação mais profundas, como os septos fibrosos, a fáscia e a região do SMAS (o sistema músculo-aponeurótico superficial), que tem papel importante na sustentação da face.
Acessível para todos os rostos
Entre as tecnologias para a pele, há uma diferença importante de indicação: quem tem o rosto fino precisa preservar volume; já quem apresenta um rosto mais pesado ou com maior acúmulo de gordura pode buscar justamente uma definição maior do contorno.
O ponto é que, hoje, a retirada indiscriminada de gordura facial deixou de ser vista como sinônimo de rejuvenescimento. Enquanto a redução de gordura é desejada em diversas partes do corpo, no rosto é preciso muita cautela.
Isso porque os coxins de gordura da face têm uma função importante na sustentação e no preenchimento dos tecidos. Com o passar dos anos, eles naturalmente sofrem alterações de volume e posição, contribuindo para a perda de sustentação e para o aspecto mais “cadavérico” e envelhecido do rosto.
A preservação desse volume é especialmente relevante para quem já tem a face mais fina. Em alguns casos, essas pessoas podem não ser boas candidatas a tecnologias que atuam profundamente como o ultrassom microfocado, justamente pelo risco de reduzir ainda mais o volume da região. O resultado, em vez de um rosto mais firme, pode ser uma aparência excessivamente emagrecida ou envelhecida.
É nesse ponto que entra uma diferença do XERF: embora a radiofrequência alcance camadas fundas, a tecnologia foi desenvolvida para promover aquecimento sem ter como objetivo a redução da gordura facial.
Isso está relacionado também à forma como a energia é entregue. Por meio da tecnologia Wave Fit Pulse, a emissão da radiofrequência é modulada para que a energia se distribua de maneira mais gradual e uniforme, em vez de se concentrar em um pico instantâneo.
“Esse design inteligente do pulso é algo bem particular desse equipamento e que eu acho que, inclusive, deve ser uma das coisas mais importantes para conseguir manter o aquecimento, usar uma frequência de 2 MHz e não ter consumo de gordura facial”, pontua a dermatologista Isabelle Wu, especialista em tecnologias para a pele e uma das cofundadoras da Tech4Doctors, congresso para médicos sobre tecnologias dermatológicas que não aceita patrocínios da indústria em nome da isenção.
Os estudos são promissores: mostram remodelação do colágeno, melhora da flacidez e do contorno do rosto sem consumo de gordura, com pouca ou nenhuma dor devido à aplicação.
Segundo Wu, poucas as marcas do segmento que apresentam estudos histológicos, os que analisam diretamente as alterações provocadas nos tecidos após o tratamento. Para a dermatologista, a existência desse tipo de evidência para o XERF representa uma validação científica relevante e ainda pouco comum nesse mercado.
Quem pode fazer
Pessoas mais jovens podem recorrer à tecnologia para preservar a famosa “poupança” de colágeno ao longo dos anos. Mas são as peles que já demonstram algum grau de flacidez que tendem a gostar mais do tratamento.
Para pacientes mais novos, uma sessão ao ano pode ser suficiente. Já pessoas mais maduras podem optar por duas sessões, com intervalo de 30 dias entre elas, para potencializar os resultados. O efeito final aparece por volta de três meses após o procedimento, quando ocorre o pico da produção de novo colágeno.
“Os pacientes saem felizes da clínica, pois já conseguem ver resultados na primeira sessão. E não existe dor nem tempo de recuperação: saindo daqui, é vida normal”, finaliza Aidar.
