Corinthians e Besiktas negociam uma possível transferência de Breno Bidon, segundo a “ESPN”. A equipe turca busca agilizar o acordo porque a janela de transferências encerra nesta sexta-feira (4). Há a possibilidade de ser feita uma proposta entre 18 e 20 milhões de euros.
O Alvinegro, em severa crise financeira e com necessidade de ter dinheiro em caixa, precisa vender um jogador, e o jovem de 21 anos era há muito tempo um possível candidato, assim como André Luiz, que não fechou sua ida ao Nottingham Forest.
Caso o negócio por Bidon se concretize, é um revés múltiplo: obviamente ao Corinthians, para o jogador e até para a seleção brasileira.
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Turquia não é conhecida por ser ‘ponte’ na Europa e pode frear Bidon
Há muito tempo tratado como uma joia da base corintiana, a promessa se consolidou no time principal a partir de 2024, mas caiu nas graças da torcida realmente no último ano. O meia “roubou” o espaço de Rodrigo Garro na equipe titular ao longo da temporada passada e a terminou em alta.
Foi de Bidon a jogadaça que iniciou o segundo gol da conquista da Copa do Brasil sobre o Vasco, com um drible desconcertante em Cauan Barros e levando a bola da defesa ao ataque antes da assistência de Yuri Alberto a Memphis Depay.
Em 2026, tem mantido o ritmo. Marcou gols decisivos em clássicos contra o São Paulo e nas oitavas de final da Libertadores, classificando o Corinthians contra o Rosario Central.
— Ele é muito inteligente, com potencial muito grande. Trabalho sério, foco, mentalidade forte. É novo, mas tem muita qualidade. É um jogador especial. Precisa sair do Brasil e ir para a seleção brasileira. É muito bom — elogiou Depay após o título da Supercopa do Brasil.
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Agora, o jovem pode dar esse salto para fora do país. A questão é que a Turquia não é um local conhecido por ser uma “ponte” para que um jogador se desenvolva e vá para uma das principais ligas na Europa. Por exemplo, três brasileiros com idades próximas à de Bidon se destacaram por lá recentemente e não conseguiram.
Felipe Augusto (22 anos), ex-Corinthians, marcou 13 gols no último Campeonato Turco pelo Trabzonspor. Seu “salto” foi para o Zenit, da Rússia, mesmo mercado que Juan (24), revelado pelo São Paulo, ainda pode fazer após ter se destacado pelo Göztepe e ser alvo do CSKA.
Mais velho, Gabriel Sara (27), outro cria de Cotia, é um dos melhores jogadores do Galatasaray desde 2024. Pelo alto salário que o gigante turco lhe paga, uma saída aos maiores campeonatos nacionais foi rechaçada nas últimas janelas.
Claro que Bidon é mais promissor que Augusto e Juan e, por ser mais jovem que Sara, pode dar o salto caso se destaque. O Besiktas até pode ter um contexto interessante, sob o comando de Vincenzo Italiano e tendo contratado as estrelas Dusan Vlahovic e Leandro Trossard. Mas, com o domínio recente do Gala e os altos investimentos do Fenerbahçe, é difícil competir.
Joia do Corinthians poderia ser testado na seleção brasileira
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Com a influência do futsal em sua formação, Bidon chamou atenção por ser um meia muito associativo, de dar apoio na saída de bola e encontrar bons passes. Na base, ele se destacava nesses quesitos como um segundo volante — mesmo que o meia tenha jogado no profissional muito mais avançado no campo.
É o perfil que falta atualmente na seleção brasileira, como o próprio técnico Carlo Ancelotti definiu após o fracasso na Copa do Mundo, e poderia ser testado no ciclo atual como uma alternativa para trazer mais calma e qualidade no passe em um time que se mostrou muito vertical para atacar.
A cria do Terrão, inclusive, já brilhou com a Amarelinha no Sul-Americano sub-20 de 2025, justamente como um camisa 8, sob o comando de Ramon Menezes. “Breno precisa ver o jogo de frente quando a gente recupera a bola”, disse o técnico brasileiro ao site da Fifa neste ano.
— Ele tem uma inteligência de jogo absurda para tudo: na parte defensiva, a capacidade de colocação dentro de campo, além do potencial técnico e posicionamento ofensivo. E com aquela coisa própria do futebol brasileiro, que é o improviso, a criatividade dos grandes jogadores. Com ele, você consegue ficar com a bola, pois é um jogador que gosta da bola. Mas também é o jogador do passe vertical. Na recuperação da bola, ele já arma o time na transição.
Não dá para cravar que uma possível ida de Bidon ao Besiktas tirará suas oportunidades na Seleção, mas pode atrasar esse sonho, seja pelo contexto do clube ou por ser uma liga menos vista. Anderson Talisca, por exemplo, brilhou entre 2016 e 2018, foi campeão turco justamente pela equipe alvinegra e participou de mais de 50 gols, mas só foi convocado uma vez por Tite, para amistoso, e não jogou.
Os próximos dias devem definir o futuro do jovem jogador do Corinthians, que precisa colocar na balança os prós e contras. Não ter sido tentado por nenhum outro centro da Europa também pode servir como uma reflexão a Breno Bidon.
