A maioria (55%) dos casos reportados no Brasil ao Unicef foi perpetrada por pessoas já conhecidas das vítimas, contra 20% de desconhecidos (também estes percentuais se alinham à média global). Houve mais registros de abusos cometidos por menores de idade (35%) do que por adultos (27%).
Em 25% dos casos, os entrevistados não souberam informar quem estava por trás de perfis usados para cometer as violências online. “Você começa a conversar no Facebook com seus amigos e, de repente, chega uma solicitação de mensagem com uma foto de uma parte íntima de sabe-se lá quem, convidando você a fazer coisas obscenas. E isso não aconteceu só uma vez, mas várias vezes”, relatou uma adolescente da Colômbia ao Unicef sobre experiências que viveu entre os 15 e 16 anos.
Impacto psicológico
Crianças vítimas dessas formas de abuso apresentam quatro vezes mais probabilidade de ter pensamentos e comportamentos suicidas, quatro vezes mais probabilidade de praticar automutilação e relataram níveis de ansiedade cerca de 11 pontos percentuais mais elevados do que seus colegas, segundo o Unicef.
A diretora executiva da agência, Catherine Russell, fala numa “realidade dolorosa”. “Essas experiências causam profundo sofrimento emocional e psicológico,” afirma. Os impactos podem se prolongar no tempo, afetando a escolaridade, os relacionamentos e a vida cotidiana.
Em agosto, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que o Discord, plataforma criada para facilitar a comunicação entre gamers, suspendesse as funcionalidades de transmissão ao vivo e compartilhamento de vídeos no Brasil, o segundo maior mercado da plataforma no mundo.
