Brasil detém a segunda maior reserva global dos chamados minerais críticos. Com cerca de 21 milhões de toneladas dos elementos com oferta limitada, as terras nacionais perdem apenas para a China, que soma cerca de 44 milhões de toneladas de terras raras. “O Brasil tem uma oportunidade histórica de ocupar posição estratégica na nova economia mineral mundial”, afirma Waldir Salvador, consultor da Amig (Associação Brasileira dos Municípios Mineradores).
Manufatura
Grande desafio do Brasil é produzir a oferta dos minerais críticos e terras raras. Projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) apontam que, apesar de concentrar quase 19% das terras raras, o Brasil desenvolve apenas 80 toneladas dos minerais. O valor equivale a somente 0,02% da produção mundial, que soma 350 mil toneladas. “É importante ter o domínio e o controle desses minerais no Brasil para lidar com os desafios que possam existir no cenário geopolítico”, diz André Nunis, pesquisador do IPT.
Além de fornecedor, o Brasil pode ser uma alternativa aos chineses e também se tornar um negociador. Com o desenvolvimento das terras raras, será possível colocar as cartas na mesa para selar acordos comerciais. O Brasil pode ser um fornecedor da tecnologia e não apenas vender a laranja para depois comprar o suco que foi feito com a nossa própria laranja. André Nunis, pesquisador do IPT

Minerais críticos são cobiçados para o desenvolvimento da tecnologia mundial. Com um monopólio superior a 90%, a Ásia concentra o processamento de ímãs utilizados na fabricação de celulares, televisões, carros elétricos, turbinas eólicas, mísseis de combate e chips de IA (Inteligência Artificial). “Não se pode repetir um modelo no qual a riqueza sai dos territórios enquanto os impactos permanecem”, diz Waldir Salvador, consultor da Amig.
