Inflação e PIB fracos sustentam apostas de novo corte da Selic, mas futuro permanece incerto

Início Economia Inflação e PIB fracos sustentam apostas de novo corte da Selic, mas futuro permanece incerto
Inflação e PIB fracos sustentam apostas de novo corte da Selic, mas futuro permanece incerto

Desaceleração da inflação sustenta cenário de nova baixa dos juros. A deflação de 0,32% registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em agosto manteve a inflação dentro do intervalo da meta pelo segundo mês seguido. “[A deflação é] um bom sinal para o Banco Central, no sentido de poder continuar cortando os juros”, afirma Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.

Perda do ritmo da economia também serve de apoio para corte de juros. A desaceleração do PIB no segundo trimestre reforçou a visão de que a política monetária restritiva passou a atingir a atividade econômica de forma mais ampla. “Temos um ritmo de atividade econômica fraco e a economia precisa ser estimulada”, diz Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados) ao defender a redução dos juros.

Incertezas adiante

Apesar das apostas predominantes no alívio agora, o quadro é de incerteza para os próximos passos da política monetária. A mediana das estimativas da última versão do Relatório Focus indica que a redução da taxa básica de juros na semana que vem será a última neste ano.

No entanto, a perspectiva não é unânime entre os analistas. Entre eles, há projeções para a taxa Selic ao final de 2026 que variam de 12,75% ao ano (-1,25 ponto percentual) — de quem espera mais cortes da taxa násica — ao nível atual de 14% ao ano, entre os que não esperam redução nem mesmo nesta semana.

Último corte do atual ciclo é esperado por maioria de analistas. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirma que o ritmo da inflação contribui para que o corte de juros nesta semana seja o último em 2026. “Nossa projeção é que os juros sejam mantidos nesse patamar [de 13,75% ao ano] até o fim de 2026”, afirma ela. “Com a inflação cedendo e a atividade acomodando é provável que a Selic encerre o ano abaixo da nossa atual projeção, em 13,75% ao ano”, diz Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco.