Combustíveis caem em agosto apesar de petróleo caro; veja preços por região

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Combustíveis caem em agosto apesar de petróleo caro; veja preços por região

Etanol hidratado também apresentou recuo no período. O preço médio nacional caiu 2,7% em agosto, para R$ 3,93 por litro, acumulando baixa de 16,8% desde março. Segundo o estudo, o movimento reflete principalmente a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, período marcado por maior produção e oferta do biocombustível. O valor ficou abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando o litro custava R$ 4,17.

Gás liquefeito de petróleo (GLP), vendido em botijões de 13 quilos, manteve trajetória de estabilidade. O preço médio nacional recuou apenas 0,3% entre julho e agosto, passando de R$ 114,22 para R$ 113,90 por botijão. O boletim ressalta que o GLP acumula três meses consecutivos de pouca variação, embora ainda permaneça acima da máxima registrada para o período nos últimos cinco anos, de R$ 111,62.

Apesar da retomada da alta do petróleo no mercado internacional, os combustíveis continuaram registrando ligeiras reduções no Brasil. O preço médio do barril de Brent subiu 8,7% em agosto, para US$ 91,08, impulsionado pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã e pelos impactos sobre a navegação no Estreito de Hormuz. Em reais, a valorização foi de 9,6%, alcançando R$ 469,06 por barril.

Queda dos combustíveis ao consumidor foi sustentada principalmente pelos preços praticados por refinarias e importadores, que permaneceram estáveis ou recuaram ao longo do mês. O estudo destaca ainda a política comercial da Petrobras, que manteve seus preços abaixo dos níveis estimados pela paridade de importação (PPI). No fim de agosto, a gasolina vendida pela estatal estava 25,4% abaixo do PPI, enquanto o diesel apresentava diferença de 44%.

Outro fator apontado para conter os reajustes foi a atuação do governo federal. A subvenção de R$ 0,44 por litro para a gasolina foi prorrogada até 9 de setembro, enquanto a MP 1.363/2026 manteve o subsídio de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores de diesel até 26 de setembro. O relatório também destaca a aprovação de um novo mecanismo fiscal que permite à União reduzir temporariamente tributos sobre combustíveis em situações de pressão extraordinária sobre os preços.

Combinação das medidas fiscais, da expansão da oferta de derivados e da política de preços da Petrobras ajudou a limitar o repasse da alta internacional do petróleo ao consumidor brasileiro, diz Ineep. O efeito também foi percebido na inflação: o grupo combustíveis registrou queda de 1,18% no IPCA-15 de agosto, contribuindo para reduzir as pressões inflacionárias.