Resultado foi puxado pelo aumento do lucro bruto. O ganho operacional cresceu graças a maiores spreads (a diferença entre o preço de venda e ao custo da matéria-prima) químicos e petroquímicos no mercado internacional.
Receita líquida somou US$ 4,30 bilhões no trimestre, alta de 37% sobre os US$ 3,15 bilhões do segundo trimestre de 2025. O Ebitda recorrente (indicador que mede a geração de caixa, aqui já sem efeitos não recorrentes do trimestre) saltou de US$ 74 milhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,04 bilhão neste ano, com a margem Ebitda passando de 2% para 24%. A companhia atribui o salto ao conflito no Oriente Médio, que restringiu a oferta global de matérias-primas e elevou os preços de petróleo e nafta, encarecendo o custo do produtor marginal na Ásia e pressionando para cima os spreads de resinas e químicos.
Dívida líquida ajustada da companhia terminou junho de 2026 em US$ 9,43 bilhões, alta de 3% sobre os US$ 9,18 bilhões de março de 2026. Já a alavancagem — a relação entre essa dívida e o Ebitda recorrente acumulado em 12 meses — recuou de 18,18 vezes para 6,74 vezes no mesmo intervalo, movimento explicado principalmente pelo salto do Ebitda do período, e não por uma redução da dívida em si.
Resultado operacional da Braskem foi forte, mas risco financeiro segue elevado, diz Citi. Em relatório, os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona afirma quem a recuperação dos spreads internacionais e os créditos do REIQ no Brasil tiveram efeito positivo. Apesar disso, apontam, a melhora do Ebitda não foi suficiente para dissipar as preocupações com a situação financeira da companhia. Mesmo com a alavancagem ajustada recuando para 6,74 vezes, a dívida líquida ajustada subiu para US$ 9,43 bilhões, enquanto a liquidação de obrigações comerciais garantidas por cartas de crédito continua consumindo caixa.
O foco permanece integralmente voltado às negociações com credores financeiros para alcançar uma solução consensual de reestruturação, em meio à proximidade do vencimento das medidas de proteção judicial e à possibilidade de uma recuperação extrajudicial. Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, analistas do Citi, em relatório
Renegociação de dívidas
Em junho, a Justiça aceitou pedido de proteção financeira da Braskem por 60 dias. O Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo aceitou os pedidos da empresa de proteção judicial, suspendendo por 60 dias execuções e constrições por parte de credores donos de debêntures e senior notes que estavam negiciando a repactuação das dívidas.
