As recentes controvérsias em torno da gestão de Gianni Infantino na Fifa levaram o príncipe jordaniano Ali Bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, a fazer apelo público por mudança que vai além de boicote.
Al-Hussein foi um dos adversários do mandatário suíço nas eleições para a presidência da entidade em 2016 e usou essa experiência para pedir alterações no processo de definição do comando. A solicitação foi feita em sua página no X, antigo Twitter.
— O mundo do futebol enfrenta uma crise de liderança às vésperas de uma eleição. Como alguém que passou por esse processo antes, acredito que uma coisa precisa ser feita imediatamente: acabar com o voto secreto nas eleições presidenciais — escreveu.
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Boicote à Fifa e mudança em votação presidencial: As discussões para reduzir polêmicas na entidade
O príncipe da Jordânia ressaltou que todas as outras decisões importantes da organização são tomadas em eleições abertas, como sedes de Copa do Mundo, por exemplo. A única exceção, ele reforçou, é a definição da presidência.
— Com eleições presidenciais a cada quatro anos e um conselho responsável por todas as decisões, um voto transparente é o único jeito de nos responsabilizarmos, como presidentes das associações-membro (MAs, na sigla em inglês), perante os torcedores, dirigentes e jogadores de futebol que nos elegeram — disse.
— Ao mesmo tempo, é uma proteção para que cada MA não possa ser pressionada a tomar uma decisão com base em coerção em portas fechadas, como já aconteceu no passado. O mais importante é que isso vai empoderar cada MA na votação mais crítica que temos: a liderança do maior e mais popular esporte do mundo e o rumo que ele vai tomar no futuro — complementou.
Al-Hussein pleiteou assumir o cargo de presidente da Fifa em duas ocasiões. A primeira foi em 2015, na tentativa de tirar Joseph Blatter do comando — mas sem sucesso.
No ano seguinte, concorreu com Infantino — então secretário-geral da Uefa –, o xeique bareinita Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, o francês Jérôme Champagne e o sul-africano Tokyo Sexwale — que posteriormente se retirou da disputa. O jordaniano acabou em 3º lugar.
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Suas promessas de campanha eram focadas em promover mais transparência e distribuição igualitária de rendas no futebol mundial. Na época, já lamentava a quantidade de polêmicas em torno da administração. “As manchetes deveriam ser sobre futebol, não sobre a Fifa”, disse Al-Hussein em 2015.
Passados 11 anos da declaração, a situação não está muito diferente. A era Infantino conquistou holofotes nas últimas semanas com decisões controversas, como a anulação da suspensão de Folarin Balogun nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo e o recente debate relacionado à criação da Fifa Forward Enterprise (FFE).
O objetivo era fazer a subsidiária explorar comercialmente parte dos direitos de torneios da entidade, ideia que enfrentou muita resistência de confederações continentais. A Uefa chegou a declarar que boicotaria as competições da Fifa caso os planos saíssem do papel. Sem apoio, Infantino abriu mão da proposta.
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A crise fez o suíço perder força no comando e ficar com o futuro em aberto. De acordo com a “talkSPORT”, mesmo com o recuo no projeto, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, estaria disposto a convencer Nasser Al-Khelaifi, presidente da Associação de Clubes Europeus (EFC, na sigla em inglês), a não colaborar mais com a Fifa enquanto Infantino estiver no topo da pirâmide. Isso poderia significar boicote de times europeus ao Mundial de Clubes de 2029.
O desejo da Uefa atualmente é que Infantino renuncie ao cargo. Finlândia, País de Gales e Inglaterra retiraram o apoio ao atual presidente nos últimos dias, conforme destacou a imprensa europeia.
A próxima eleição presidencial da entidade está prevista para ocorrer em 18 de março de 2027 em Rabat, Marrocos, durante o 77º Congresso da Fifa. Gianni Infantino ainda pode concorrer para tentar o quarto — e, portanto, último — mandato.
O canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf, consideraria se lançar na disputa ao posto, segundo a imprensa do Velho Continente. O objetivo da Uefa seria apoiar eventual candidatura de Al-Khelaifi ou endossar Montagliani.
