As três frentes de Lula na campanha: bolsonarismo, Trump e Milei

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As três frentes de Lula na campanha: bolsonarismo, Trump e Milei

Na campanha atual, a frente interna atua em parceria com as frentes externas. Em muitos casos, na avaliação do governo, de forma orquestrada. O exemplo mais usado nos últimos dias por fontes oficiais é o questionamento ao sistema eleitoral.

Primeiro, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, organizou um encontro em Brasília com embaixadores estrangeiros no qual criticou o sistema eleitoral brasileiro. Quando a reunião aconteceu, já havia sido solicitada pelos EUA a concessão de vistos para entrarem no Brasil dois funcionários do Departamento de Estado, que pretendiam encontrar-se com autoridades do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e com o próprio Flávio Bolsonaro. Os vistos foram negados pelo governo brasileiro.

Quase simultaneamente, Milei viajou até São Paulo para participar da Convenção Nacional do PL. Em seu discurso, o chefe de Estado, no mesmo dia condecorado pelo governador Tarcísio de Freitas —que trocou o apelo vermelho pelo azul, num gesto cheio de simbolismos—, atacou o presidente Lula. Abriu-se uma crise bilateral sem precedentes entre Brasil e Argentina.

A frente externa tem, ainda, um personagem, por enquanto, secundário. O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que enviou uma mensagem gravada para ser transmitida na convenção do PL. As relações entre Brasil e Israel estão no freezer, mas Netanyahu parece estar mais ocupado com suas próprias guerras no Oriente Médio. É um adversário forte, mas que não está mirando o Brasil.

Ontem, a Casa Rosada não desescalou o conflito com o Brasil, mas também não continuou escalando. Representantes do presidente Milei defenderam manter vigorosas as relações comerciais, único tema do vínculo que interessa ao país vizinho. Nesse panorama, o governo brasileiro vai esperar para tomar uma decisão sobre o embaixador Julio Bitelli, chamado para consultas após os ataques de Milei a Lula. Segundo fontes, Bitelli ainda vai passar um tempo em Brasília.

A campanha de 2026 é diferente de outras passadas. Não se trata apenas das posições dos candidatos sobre temas externos. Se trata do envolvimento inédito de frentes externas na campanha brasileira. O Planalto, confirmaram as fontes, vem se preparando para isso há meses. E sabe que a ofensiva externa, em aliança com a interna, está apenas começando.