Ele se aposentou em 2024. PP não era apenas mais um quadro entre os auditores fiscais da Receita estadual, onde escalou postos graduados e estratégicos. Atuou como inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital, função para a qual foi designado em agosto de 2014. Depois, já como delegado, ele substituiu Marcelo Bergamasco Silva, em seus afastamentos, na Delegacia Regional Tributária da Capital II – atualmente, Bergamasco exerce a função de subsecretário da Receita de São Paulo.
‘Potencial explosivo’
Nos corredores e gabinetes da Fazenda paulista, fiscais avaliam que a delação de PP tem ‘potencial explosivo’. A suspeita de corrupção em larga escala no Palácio Clóvis Ribeiro, sede da Receita estadual, provocou três operações consecutivas dos promotores do Gedec – face do Ministério Público que enfrenta delitos de ordem econômica e corrupção. Em agosto, foi desencadeada a Operação Ícaro, que apontou provável favorecimento à Ultrafarma e à Fast Shop. Depois, a Operação Mágico de Oz e, já em março de 2026, a Operação Fisco Paralelo. Cerca de 40 fiscais estão sob investigação. Por ordem do secretário Samuel Kinoshita (Fazenda e Planejamento), cinco auditores foram demitidos em abril.
Paulo do Prado PP foi alvo de buscas dos promotores duas semanas antes do estouro da Operação Mágico de Oz, em março passado. Seu nome despontou na investigação como suposto elo de dois personagens emblemáticos do caso, Artur Gomes da Silva Neto, o ‘King’, e Alberto Toshio Murakami, o ‘Americano’ – este, atualmente foragido, residindo em uma casa avaliada em R$ 7 milhões nos Estados Unidos e com o nome inscrito na Difusão Vermelha da Interpol, o índex dos mais procurados no mundo.
Apontado como mentor do esquema, ‘King’ está preso. Ele chegou a ensaiar uma proposta de delação, suas revelações preencheram 33 anexos, mas o acordo não avançou porque, segundo a Promotoria, omitiu a posse de uma fortuna em criptomoedas.
A investigação mostra que em 2 de abril de 2021, ‘Americano’ avisou ‘King’ sobre a emissão de uma Ordem de Serviço Fiscal referente à Ultrafarma. ‘Precisa emitir e distribuir’, escreveu ‘Americano’, via whatsApp. Artur ‘King’ responde que vai falar com o ‘chefe K’, Kunio Shimada, inspetor fiscal da Delegacia Regional Tributária da Capital III, segundo a Promotoria.
