O Manchester City de Enzo Maresca dá seus primeiros passos na pré-temporada. O empate em 1 a 1 com a Internazionale e a vitória sobre as estrelas do Campeonato Sul-Coreano serviram para ser uma primeira mostra de suas ideias, parecidas com a do ex-técnico Pep Guardiola, mas com uma das diferenças sendo em relação aos atacantes pelos lados.
“Guardiola queria que eu ficasse aberto ou um pouco mais por dentro, dependendo do nosso adversário. Enzo é mais sobre ficar aberto e, quando você recebe a bola, criar oportunidades“, definiu Antoine Semenyo, sobre uma das diferenças dos técnicos. Isso ficou evidente nos dois jogos da pré-temporada.
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Contra os italianos, Semenyo sempre estava bem aberto na esquerda; Savinho, pela direita. Quando os dois saíram, o garoto da base Ryan McAidoo (direita) e o lateral-esquerdo Rayan Aït-Nouri exerceram a função. Inclusive, Maresca usou McAidoo como exemplo do que espera de um jogador de lado de campo.
— Temos conversado com o clube sobre o Ryan e, desde o primeiro dia, ele é exatamente o tipo de ponta que eu gosto. Muito agressivo no um contra um, sempre tentando, tomando a decisão certa — elogiou.
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Semenyo repetiu a função frente aos principais jogadores da K-League, dessa vez à direita. Do outro lado estava Aït-Nouri, novamente improvisado, também sempre na amplitude. Os reservas na etapa final na função foram Jeremy Monga e Savinho.
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A empolgação de Semenyo não é por acaso. A forma que Maresca usa os pontas costuma potencializá-los, e isso também é uma boa notícia para Savinho.
Pontas, incluindo Savinho, serão chave no novo Manchester City
Alvo do Tottenham, que ainda não chegou ao valor que o City quer pelo jogador, Savinho, até o momento, segue no City. Se ficar, pode ser uma peça improvável a ser potencializada pela ideia tática de Maresca para os atacantes dos lados. O brasileiro é o tipo de ponta característico formado no Brasil: rápido, ágil na mudança de direção e, principalmente, muito habilidoso.
Não à toa, foi o líder em dribles em LaLiga pelo Girona em 2023/24 (104 fintas em 37 jogos), à frente de nomes como Vinicius Júnior, Nico Williams e Lamine Yamal, temporada que o credenciou para chegar aos Citizens. Por ser um canhoto jogando na direita, consegue cortar para dentro para buscar a assistência ou o gol.
A adaptação na Inglaterra, porém, não foi a ideal. Em duas Premier Leagues disputadas, só fez dois gols. No último ano, não chegou a nem dez jogos como titular. Jovem, com apenas 22 anos, ainda tem margem para evoluir e conseguir se consolidar na maior liga do mundo.
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Por Maresca sempre querer os pontas bem abertos, Savinho pode se beneficiar disso, pois a ideia do sistema é deixar esses jogadores sempre no mano a mano contra um defensor, tendo a vantagem de ser mais rápido. Vale citar, porém, que com Guardiola isso também ocorria, mas o jogador ex-Atlético-MG não conseguiu brilhar. A diferença é que o italiano tem isso como uma das principais partes de seu trabalho e com um histórico positivo.
No amistoso com a Inter e com os sul-coreanos, o brasileiro não foi bem, porém, outros nomes já puderam se beneficiar disso. Semenyo provavelmente foi o melhor em campo nas duas partidas, com uma assistência em cada após limpar a marcação em jogadas mano a mano, além de, após ter cortado para dentro, ter obrigado defesa do goleiro antes do gol do jovem Divin Mubama frente aos asiáticos.
Pelo menos um dos pontas já se adaptou ao que é exigido e justifica a empolgação.
— Vou ter situações de um contra um durante a maior parte dos jogos, e estou ansioso por isso — disse Semenyo ao “The Athletic”.
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Maresca teve a mesma estrutura no Chelsea e Leicester
O italiano, nos dois clubes ingleses em que trabalhou antes, sempre manteve essa marca. No Leicester, campeão da Championship em 2023/24, Maresca teve Stephy Mavididi (ponta esquerda) e Abdul Fatawu (ponta direita) como grandes destaques, em especial pelos dribles, criação de chances e gols marcados.
Em um ano e meio no Chelsea, a estrutura não teve o mesmo sucesso, mas foi mantida: Pedro Neto, Noni Madueke, Alejandro Garnacho e Estêvão foram alguns dos usados no setor para ficarem na amplitude e usarem o drible ou a velocidade. Cole Palmer, inclusive, acabou virando mais um camisa 10, saindo da ponta direita.
Com isso, muitas vezes os laterais Marc Cucurella, Reece James e Malo Gusto se alternavam entre fazer saída de três com os zagueiros, ser um volante ou avançar mais e ser como um atacante no “meio-espaço”, termo para definir a zona entre zagueiro e lateral adversário.
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Essa estrutura também foi usada por Guardiola em vários momentos nas dez temporadas que comandou, afinal, Maresca é um dos discípulos dele.
Uma das versões mais marcantes da era Pep tinha Raheem Sterling de um lado e Leroy Sané do outro. A questão é que o catalão foi mudando isso com o passar do tempo, por vezes usando jogadores com características menos de drible nas pontas, como laterais ou até meias, caso de Phil Foden e Bernardo Silva.
Laterais têm papel decisivo para tática do técnico do City
Para que os pontas fiquem sempre bem abertos no momento ofensivo, os laterais também ganham uma função especial. O amistoso contra a Inter deu uma pista.
O ala esquerdo era Stephen Mfuni, zagueiro de origem que ficou na base da jogada junto da dupla de zaga. Na direita, Rico Lewis avançava uma linha e ficava alinhado a Matteo Kovacic no meio-campo. A estrutura parecia um 3-2-5, repetida contra as estrelas do Campeonato Sul-Coreano, com alguns jogadores diferentes.
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Claro que há variações. No Chelsea, Palmer, nos momentos em que atuou pelo lado, flutuava para dentro e tinha um lateral para dar amplitude.
O elenco do City, porém, só tem Aït-Nouri com essa característica de profundidade e ultrapassagem no corredor. À esquerda, Nico O’Reilly e, à direita, Rico Lewis e Matheus Nunes, são mais meias com qualidade no passe e, sob o comando de Guardiola, normalmente flutuavam para dentro ou ficavam na saída de bola.
Por isso, a tendência é as pontas ficarem mesmo com Savinho, Semenyo e Jérémy Doku, que ainda não se reapresentou pela Copa do Mundo, além de ver se a improvisação de Aït Nouri continuará e se algum dos jovens que Maresca testou fique no time principal.
O próximo amistoso do Manchester City será neste domingo (9), quando enfrenta o Atlético de Madrid. A temporada inglesa inicia em 16 de agosto, com a Community Shield, contra o Arsenal.
