DNA da varíola é recuperado de múmias da época da conquista espanhola

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DNA da varíola é recuperado de múmias da época da conquista espanhola

Nas Américas, a varíola e outras doenças virais mataram, segundo algumas estimativas, cerca de 90% dos povos indígenas. Isso ajudou os espanhóis a derrotar o Império Asteca no atual México, as cidades-estado maias na América Central e o Império Inca, ‌que se estendia do atual Equador, passando pelo Peru, até o Chile.

MUMIFICADOS NATURALMENTE

As duas pessoas cujos corpos apresentavam o patógeno da varíola viviam na região sul do antigo Império Inca, em um local próximo à costa do Pacífico, perto ​da enseada de Camarones, no Chile. Uma delas era uma mulher de 30 a 35 anos. A outra era um homem de 18 a 20 anos.

“Os indivíduos foram mumificados naturalmente e enterrados em embrulhos, envoltos ‌em cobertores de lã de camelídeos e acompanhados por diversos objetos funerários”, disse a coautora do estudo, Constanza de la Fuente Castro, antropóloga biológica da Universidade do Chile especializada em DNA antigo.

“É importante distinguir entre mumificação artificial e natural. Embora seus corpos estivessem ‌envoltos em tecidos, eles não sofreram alterações químicas ou ‌físicas como as múmias egípcias. Essa prática de sepultamento em fardos é anterior aos incas e era comum em períodos anteriores”, acrescentou ela.

Os pesquisadores não conseguiram determinar com precisão quando os dois ⁠foram infectados, mas restringiram o período a um intervalo centrado no século 16. Liderados por Francisco Pizarro, os espanhóis derrubaram o imperador inca na década de 1530.