Galípolo diz que impacto da IA na inflação preocupa mais que El Niño

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Galípolo diz que impacto da IA na inflação preocupa mais que El Niño

Cenário torna preocupação com o El Niño menos relevante para o BC. Para o presidente do BC, os últimos fenômenos climáticos tiveram efeitos distintos para o Brasil, o que afasta uma preocupação antecipada. “Quando a gente olha para uma série histórica, a gente tem casos de El Niño mais forte que impactaram a inflação negativamente e que impactaram positivamente a produtividade. Não é fácil você extrair uma tendência clara”, disse ele.

Ele também vê um cenário positivo do Brasil em relação aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Na avaliação do presidente do BC, o Brasil tem se posicionado positivamente diante da valorização do petróleo devido à sua condição de exportador e do diferencial de juros sobre as outras economias. “Esses fatores têm sido as linhas de defesa para o Brasil”, avalia Galípolo.

Diante das adversidades, Galípolo diz que o BC tem diferentes “planos de voo” no radar. A afirmação considera a cautela para as definições dos juros em meio à necessidade de conduzir a inflação para 3%, centro da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). “Trabalhamos com trajetórias que contemplam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e de retomada no ciclo [dos juros]”, disse.

Ele disse que o BC busca coletar os dados de uma maneira “parcimoniosa”. O presidente do BC afirma que a política monetária, principal instrumento para conter o avanço dos preços, precisa se mover “mais como um transatlântico do que um jet ski“. Ele ressalta que os movimentos mais cautelosos ajudam a “enxergar essa tendência de maneira mais clara”.

A gente vai seguir acompanhando os dados com a convicção de que o cenário atual demanda um [juros em] patamar restritivo.
Gabriel Galípolo

BC cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das últimas três reuniões. Com as reduções, a taxa básica de juros saiu de 15% ao ano, maior patamar desde 2006, para 14,25% ao ano. Na ata da decisão, o Copom (Comitê de Política Monetária) destacou que a manutenção do ciclo de queda da Selic depende do retorno das expectativas de inflação para a meta.