O cálculo, ali, foi que essa entrevista aproximaria o petista do público de internet. A estratégia é ocupar esses espaços digitais de alto engajamento, uma vez que o bolsonarismo tem uma participação mais forte nas redes sociais do que o petismo.
Para isso, também, a campanha criou redes de influenciadores e militantes para difundir o conteúdo da campanha e rebater o que considera desinformação.
Sobre debates, alguns fatores têm sido sopesados. Um deles é o tempo que seria despendido, na agenda presidencial, para a preparação do candidato. Outro fator é a qualidade dos debates e o grau de virulência e risco com alguns candidatos.
Além disso, a leitura tática da campanha é que, ao deixar de participar, Lula joga a bola para Flávio, que seria “dragado para baixo” e seria o alvo principal dos adversários. Nesse entendimento, Lula não ir para o debate cria mais problemas para Flávio do que para ele.
Um relatório do Instituto Democracia em Xeque, divulgado hoje, com análise qualitativa do eleitorado pendular — aqueles 3% que não se decidiriam entre Lula ou Flávio Bolsonaro —, mostra que a ausência do presidente nos debates é criticada, mas compreendida.
Para esse eleitor, os debates vão servir para definir quem será o adversário de Lula no segundo turno, como uma “eleição primária da direita”. Por isso, uma ausência de Flávio Bolsonaro é muito mais condenada do que a do presidente. Nesse eleitorado, Lula perde a oportunidade de explicar suas propostas, mas já é bastante conhecido.
