O julgamento vinha sendo tratado como o “momento tabaco” das redes sociais, uma referência ao acordo de responsabilização que a indústria do cigarro teve que fechar com todos os estados americanos nos anos 1990. Se elas mudaram seu jeito de operar e se anunciar, foi por causa desse processo . O resultado de hoje mostra que estamos longe disso.
Apesar de louvar o resultado (“mudança real, transparência real e proteções reais e aplicáveis para as crianças”, diz Bob Bonta, da Califórnia), os procuradores-gerais sinalizam que esperavam mais.
Isso não é só sobre dinheiro –é sobre mudar como essas plataformas operam pra parar de explorar o cérebro em desenvolvimento das nossas crianças
Todd Rokita, procurador-geral de Indiana
Vale lembrar que esse desfecho judicial representa algo novo para a Meta. Diferente de YouTube, TikTok e Snapchat, que costumam fechar acordo pra evitar que ações sigam adiante na Justiça, a Meta historicamente prefere brigar até a última instância. Não foi o que aconteceu agora, e o motivo provável está em outro julgamento, esse concluído em agosto: no Novo México, em um caso movido por um só estado norte-americano, a empresa foi condenada a pagar quase US$ 1 bilhão e a adotar mudanças na plataforma.
Se um processo estadual isolado já rendeu esse tipo de decisão, a Meta deve ter feito as contas de quanto custaria deixar 29 procuradores-gerais, munidos de documentos internos e depoimentos de ex-executivos, terminarem de contar a história diante de um júri.

