O Burger King sentava com o Méqui. E você, conversa com quem?

Início Economia O Burger King sentava com o Méqui. E você, conversa com quem?
O Burger King sentava com o Méqui. E você, conversa com quem?

Eu vivi isso na pele. Quando presidia o IFB (Instituto Foodservice Brasil), sentava à mesma mesa com concorrentes diretos. Na época, Méqui e Burger King viviam se provocando na publicidade. Mas, por trás das campanhas, havia respeito, admiração e muita troca. O presidente da outra rede e eu dávamos boas risadas, inclusive sobre as provocações entre as marcas. Aquele concorrente me ensinou muito e me fez crescer como líder. É isso que bons competidores fazem: eles te engrandecem.

A história ainda guardava uma ironia. Alguns anos depois, em 2024, eu acabaria me tornando CEO justamente do grupo que controlava o Burger King no Brasil.

E essa troca não acontecia apenas entre empresas do mesmo setor. No IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), eu discutia com gente da Magalu, da Droga Raia. Negócios completamente diferentes do meu, mas enfrentando desafios muitas vezes parecidos.

No intervalo de um desses eventos, um empreendedor me procurou e disse: “Paulo, tenho um negócio há anos e nunca tinha saído da minha cozinha para ir a um evento. Vim porque meu filho insistiu. Já aprendi mais aqui em duas horas do que nos últimos dois anos sozinho.”

Hoje existem muitas oportunidades para fazer isso. O iFood Move, a Fipan, eventos da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), congressos regionais, encontros de associações locais. O formato importa menos do que o hábito de ir.

Neste ano, volto ao iFood Move como palestrante e uma das coisas que mais me chama atenção é como o próprio evento reflete uma mudança que venho acompanhando no mercado: as fronteiras entre categorias estão desaparecendo. Restaurantes, varejo, shopping, farmácia e outros negócios começam a dividir discussões sobre consumidor, tecnologia e ecossistemas que, há pouco tempo, pareciam acontecer separadamente.