Ouro de Rafaela Silva nas Olimpíadas do Rio completa dez anos; relembre a campanha da judoca

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Ouro de Rafaela Silva nas Olimpíadas do Rio completa dez anos; relembre a campanha da judoca



Judoca Rafaela Silva chora no pódio, durante hino do Brasil, após conquista do ouro nas Olimpíadas do Rio -

Judoca Rafaela Silva chora no pódio, durante hino do Brasil, após conquista do ouro nas Olimpíadas do Rio –

Foto: reprodução/Youtube/Twany Santos Sgarioni/Captura de Tela/Esporte Espetacular/Globo / Esporte News Mundo

O dia 08 de agosto de 2016 é uma data marcada na memória de Rafaela Silva e na história do judô brasileiro. Neste dia, há dez anos, a judoca brasileira vencia Sumiya Dorjsuren, da Mongólia, na categoria até 57kg, faturando a primeira medalha de ouro do Brasil na olimpiada realizada no Rio de Janeiro, em casa, sendo a primeira das duas medalhas que ela conquistou nas três edições que disputou, somada ao bronze em equipes mistas em Paris 2024.

A conquista foi reflexo da preparação da judoca, que veio a partir da eliminação considerada precoce em Londres, em 2012, que rendeu críticas pesadas da torcida. Entre 2012 e 2016, conquistou medalhas de ouro e pódios nas principais competições de judô no ciclo, incluindo o primeiro título mundial do esporte para o Brasil.

Nas olimpíadas do Rio, conquistou o ouro com cinco vitórias, uma delas por ippon. O Brasil ainda teria dois bronzes no esporte, naquela edição, vindos com Mayra Aguiar (categoria até 78kg) e com Rafael Silva (mais de 100kg).

Eliminação em Londres

Antes do triunfo no Rio, Rafaela Silva teve que lidar com a eliminação nas oitavas de final em Londres, que ocorreu devido a um erro nas oitavas de final, quando enfrentou a húngara Hedvig Karakas e aplicou um Waza-ari com um golpe irregular na época: agarrar a perna da adversária. O juíz deu o ponto, mas o lance foi revisado pela arbitragem, que corrigiu a situação para uma eliminação direta de Rafaela. A derrota rendeu críticas pesadas da torcida brasileira à judoca, que chegou a sofrer com ofensas racistas nas redes sociais.

A preparação até Rio 2016

A preparação de Rafaela foi um ponto importante para superar Londres e focar nas olimpíadas do Rio. Dentre as principais conquistas de Rafaela entre 2012 e 2016, Rafaela foi medalha de bronze no Grand Slam de Tóquio (até 63kg), conquistou o ouro (até 57kg) e a prata (equipes) no Campeonato Mundial do Rio de Janeiro, em 2013, foi ouro no Pan-Americano de Judô no mesmo ano e prata no ano seguinte, em Guayaquil, além de ter a medalha de prata no Grand Prix da IJF.

Nos Jogos Mundiais Militares de 2015, em Dusseldorf, conquistou o ouro tanto na categoria até 57kg, aplicando o ippon em quatro das cinco partidas vencidas, e na categoria em equipe. Nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, Rafaela Silva chegou ao bronze na categoria até 57kg e, no Grand Prix da IJF, foi ouro em 2015 e 2016

Todos os bons resultados garantiram a judoca brasileira na edição brasileira das Olimpíadas por conta da boa colocação no ranking da Federação Internacional de Judô (IJF).

A campanha no Rio até o ouro

Rafaela Silva esteve na chave C e, na primeira rodada, enfrentou a alemã Miryam Roper e a derrotou com um ippon em 46 segudos de luta. Já nas oitavas de final, derrotou a sul-coreana Kim Jan-di, à época segunda colocada do ranking da IJF na categoria disputada, com um Waza-ari.

Nas quartas de final, última fase da chave C, Rafaela Silva reencontrou a húngara Hedvig Karakas. Quatro anos depois e com um Waza-ari, a brasileira “expurgou” o fantasma da eliminação de Londres e chegou às semifinais da categoria até 57kg.

A semifinal foi tensa. A adversária foi a romena Corina Căprioriu, vice-campeã mundial em 2015, na edição de Astana, e prata nas Olimpíadas de Londres. Foram sete minutos de disputa, um shido para cada atleta e, por fim, mais um Waza-ari de Rafaela, desta vez no Golden Score.

Na final, a disputa foi contra a judoca Dorjsürengiin Sumiyaa, da Mongólia, à época campeã asiática e que foi bronze no Mundial de Astana, no ano anterior, além de ter derrotado a japonesa Kaori Matsumoto, campeã em Londres, na semifinal.

Rafaela começou forçando uma punição (shido) para a atleta da Mongólia, mas também foi punida logo em seguida. O Waza-ari veio no primeiro minuto de luta, validado pela arbitragem no detalhe, o que fez Rafaela administrar e se defender com calma durante o restante do tempo. Mesmo com outra punição faltando 35s, a brasileira manteve a calma que demonstrou desde a primeira luta do dia e garantiu o primeiro ouro do Brasil naquela olimpíada. O choro, daquela vez e diferentemente de Londres, foi de alegria e veio segundos após o fim da luta, ao sair do tatame e abraçar seu treinador, Mario Tsusui.

Carreira pós-Rio

Rafaela prosseguiu com bons resultados nos anos seguintes, a incluir a prata na Equipe Mista no Mundial de Budapeste, em 2017, e os bronzes na edição de Tóquio, em 2019, tanto na Equipe Mista quanto na categoria até 57kg. Em Grand-Slams da IJF, foi prata em 2017 e, em 2019, foi ouro na edição de Baku e prata em Dusseldorf, além de Bronze em Ecaterimburgo (2017) e Brasília (2019).

O segundo ponto tenso de Rafaela veio no Pan de 2019, em Lima, no Peru, em agosto, quando chegou a ser ouro em sua categoria, mas teve a medalha retirada e a desqualificação confirmada após testar positivo para o broncodilatador fenoterol, justificado pela judoca pelo contato com uma bebê de seis meses que tratava asma. Ainda assim, Rafaela foi punida com dois anos de suspensão das competições, ficando de fora das Olimpíadas de Tóquio.

Em seu retorno, foi campeã mundial em Tashkent, em 2022, e ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023, em Santiago, ambas na categoria até 57kg. Nas Olimpíadas de Paris, foi bronze na Equipe Mista.

Rafaela segue em atividade, com outras conquistas ao longo dos últimos anos e com forte legado construído ao longo da carreira.