PicPay: Manutenção de crédito ao endividado impede piora da inadimplência

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PicPay: Manutenção de crédito ao endividado impede piora da inadimplência

A economista argumenta que esse movimento — que ela descreve como “crédito sujo” — concentra-se sobretudo nas linhas mais emergenciais e líquidas do crédito livre, como rotativo do cartão e cheque especial. “A qualitativa é péssima”, disse, ao afirmar que grande parte do endividamento está associada a produtos de alto custo e usados como ponte para rolar dívidas entre instituições.

Ainda assim, pontua, é esse mecanismo que impede uma explosão da inadimplência. “A gente só não tem uma explosão porque você tem o crédito ainda fomentando que essa pessoa consegue pegar crédito no outro, pagar aqui”, afirmou.

O efeito, segundo Ariane e Pizzani, é uma espécie de “estabilização artificial” da adimplência. O consumidor permanece endividado e com renda comprometida, mas sem necessariamente migrar para o atraso formal. “Ele entra no comprometimento, no endividamento, mas não entra na inadimplência”, disse. “É meio artificial, mas ele está adimplente.”

A economista relaciona esse quadro à própria bancarização recente promovida por fintechs e bancos digitais, que ampliaram o acesso ao sistema financeiro. Na leitura dela, a inclusão permitiu que famílias fizessem mais coisas, mas veio acompanhada do efeito colateral de maior comprometimento de renda.

Ariane também ponderou que a dinâmica é estrutural e não se resolve rapidamente. Para ela, não há evidência clara de que a inadimplência já atingiu o pico, e a redução desses indicadores exigirá tempo. “A gente precisa de anos pra mudar esses números, anos. Não é do dia pra noite”, afirmou. Nesse contexto, cortar crédito agora equivaleria a uma medida extrema contra o próprio devedor. “Não é parar de dar crédito agora”, disse, ao comparar a estratégia a um tiro de misericórdia na capacidade de pagamento do consumidor.

Renegociação de dívidas

A economista citou, ainda, que a existência desse mecanismo ajuda a explicar por que programas de renegociação, como o Desenrola, acabam se tornando recorrentes. “Precisa ter, mas é o seguinte: daqui a três anos estamos aqui de novo fazendo outro Desenrola, tá? Porque é estrutural”, avaliou.