Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval conhece seus grandes campeões de 2026

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Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval conhece seus grandes campeões de 2026



Vela

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Foto: FOTOP | Divulgação / Esporte News Mundo

A 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval chegou ao fim neste sábado (1/8), coroando os campeões da principal competição de vela oceânica da América Latina após uma semana marcada por grandes disputas no Canal de São Sebastião.

Organizada pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI), com supervisão técnica da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO) e chancela da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a competição reuniu 127 embarcações, mais de 1.000 velejadores do Brasil, Argentina e Uruguai. Participaram atletas olímpicos, pan-americanos e mundiais como Robert Scheidt, Lars Grael, Clínio de Freitas, Samuel Albrecht, Daniel Glomb, Mário Tinoco, Marco Grael, Maurício Santa Cruz, Guilherme Hamelmann e outros ícones da modalidade.

Na ORC, considerada a principal classe do campeonato, o Crioula 52 (VDS), de Eduardo Plass, confirmou o favoritismo e conquistou mais um título seguido. Também terminaram campeões o Plâncton (BRA-RGS), o Blue Wind (BRA-RGS Cruiser), o Madrugada (Clássicos), o Relaxa Building (C30), o Ciribaí (HPE25) e o Onda (Super 40).

“Realmente estamos bem contentes com o resultado. Estamos vivendo um bom momento no Brasil. Vimos a classe Soto 40 com diversos barcos e resultados bem parelhos no grupo. Em um minuto de regata, às vezes temos sete ou oito barcos, e isso mostra o equilíbrio da disputa”, explicou o atleta olímpico Samuel Albrecht, tático do Crioula.

A entrega de prêmios foi realizada no Race Village, localizado do Centro Histórico de Ilhabela, reunindo autoridades locais, representantes do YCI na figura principal do comodoro Paulo Palermo e dos velejadores.

A programação da Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval começou ainda no sábado (25/7), com a Regata Vela do Amanhã Mauro Dottori by Genoa Capital, que levou cerca de 200 crianças de projetos sociais para uma experiência de navegação ao lado de grandes nomes da modalidade.

No domingo (26/7), o tradicional Desfile dos Barcos reuniu centenas de pessoas no Píer da Vila antes da apresentação da Esquadrilha da Fumaça, que abriu oficialmente a programação ao lado da largada da Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil.

Ao longo da semana, foram realizadas regatas de percurso e provas de barla-sota, entre elas a Regata Mitsubishi Eduardo Souza Ramos, a Regata Daycoval e as disputas válidas pelo campeonato de cada classe.

No total, a edição contou com 11 regatas na ORC, 13 na Classe C30, 11 na HPE25, oito na BRA-RGS, oito na RGS Clássicos, sete na RGS Cruiser e oito provas válidas pelo Campeonato Super 40, totalizando mais de 40 regatas.

A única interrupção ocorreu na quarta-feira (29), quando um fenômeno meteorológico provocou rajadas superiores a 60 nós (111 km/h) e obrigou a organização a cancelar toda a programação esportiva.

Após uma força-tarefa envolvendo o Yacht Club de Ilhabela, a Comissão Técnica, a Marinha do Brasil e os próprios velejadores para garantir a segurança das pessoas e das embarcações, o cronograma foi reorganizado e todas as regatas previstas foram recuperadas até o encerramento da competição.

Uma das novidades da 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval foi a divisão das disputas em duas raias. De um lado ficaram as embarcações de maior desempenho, como ORC, Super 40 e C30.

Na outra, competiram as classes BRA-RGS, RGS Cruiser, Clássicos e HPE25. A medida reduziu o encontro entre barcos com velocidades muito diferentes, principalmente nas montagens de boia e nas popas, aumentando a segurança e permitindo disputas mais equilibradas dentro de cada flotilha.

“A separação das raias foi uma decisão muito positiva para esta edição. Conseguimos dar mais atenção a todas as classes, reunindo barcos com velocidades parecidas e aumentando a segurança nas regatas. Antes havia situações em que embarcações muito rápidas encontravam barcos mais lentos nas montagens de boia. Com esse novo formato, as disputas ficaram mais equilibradas, técnicas e seguras para todos”, explicou Fábio Cotrim, diretor de Vela do Yacht Club de Ilhabela e comandante do Saci.

Crioula domina novamente a principal classe

Na ORC, o Crioula 52 (VDS) voltou a mostrar porque é a principal referência da vela oceânica brasileira. A embarcação comandada por Eduardo Plass optou por não disputar a Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, válida apenas como prova especial de abertura, concentrou esforços no campeonato e conquistou o título da ORC Geral e da ORC Performance com apenas 10 pontos perdidos em 11 regatas.

O Onda (ICS), de Eduardo Souza Ramos, terminou na segunda colocação da classificação geral, enquanto o Sandokan (YCA), de Carlos Belchor Costa, completou o pódio.

“O Crioula tem uma pequena vantagem por conseguir planejar mais à frente desse grupo. Enquanto eles acabam brigando muito entre si, a gente consegue velejar mais para a frente, fazendo o nosso barco andar rápido. Sabemos que é um bom barco e que tem um rating muito bom”.

“É difícil ter um barco desse no Brasil, mas seria muito legal termos um parâmetro, um barco que velejasse perto da gente e fizesse com que navegássemos mais no limite, com uma disputa mais próxima. No ano passado, o Rudá apareceu com um barco novo, que navegava perto da gente, mas o projeto optou por velejar com outro barco. Então, por enquanto, não vemos ninguém velejando perto do Crioula”, afirmou Samuel Albrecht, tático da equipe campeã, que usa o barco TP52.

A ORC (Offshore Racing Congress) é a principal regra internacional da vela oceânica. Ela utiliza um sistema de rating que corrige os tempos de acordo com as características de cada embarcação, permitindo que barcos de diferentes tamanhos e projetos disputem o mesmo campeonato em condições equilibradas.

Campeonatos decididos nos detalhes

Embora a ORC tenha sido dominada pelo Crioula, a maior parte das classes foi decidida por diferenças pequenas de pontuação.

Na BRA-RGS Geral, o Plâncton (ICSC), de Jonas E. Chorociejus, conquistou o título com 16 pontos, apenas três à frente do My Boy (LISARB), de Lars Andreas Muller. A divisão B foi ainda mais equilibrada, com o Homo Erectus (ICSC) superando o My Boy por apenas um ponto.

Na BRA-RGS A, o uruguaio Albariño (ACAL), de Marcelo Cipolina, conquistou o título com 13 pontos, três a mais que o Avohai (PIC), de Luiz Henrique Macedo. 

“É muito divertido, tudo é muito equilibrado, e lutamos pelo primeiro lugar até esta última regata. Vamos continuar voltando, porque, acima de tudo, a festa que fazem aqui, o empenho da organização e a dedicação de todos são simplesmente fabulosos”, disse o uruguaio Marcelo Cipolina, skipper do Albariño, uma tripulação mista entre argentinos e uruguaios.

A regra nacional RGS é um sistema nacional de compensação que permite a disputa entre veleiros de diferentes tamanhos e projetos.

Na Classe C30, o Relaxa Building (YCI), comandado por Tomás Mangabeira Albernaz, liderou praticamente toda a competição e confirmou o título com uma regata de antecedência. Ainda assim, a vantagem sobre o Kaikias EMS (YCI) foi pequena durante toda a semana, exigindo concentração até a confirmação matemática da conquista.

O Relaxa Building se destacou no meio da flotilha por levar a única mulher da C30 neste edição. Os Carabelli 30 são veleiros de one-design assim como os HPE25.

“Foi uma semana muito equilibrada. Estivemos na liderança praticamente o campeonato inteiro, mas sempre com uma vantagem pequena. Entramos na raia sabendo que cada regata faria diferença e conseguimos garantir o título antes da última prova. É uma sensação de dever cumprido e de muito orgulho por tudo o que construímos como equipe”, destacou Tatiana Almeida, integrante da tripulação campeã.

Na HPE25, o título foi decidido por apenas um ponto. O Ciribaí (GVI), de Mario Lindenhayn, terminou com 21 pontos, contra 22 do Ginga (GYC), de Breno Chvaicer.

A categoria é uma formada por monotipos de 25 pés, na qual todas as embarcações são praticamente idênticas. Como os barcos possuem o mesmo projeto e equipamentos padronizados, as regatas são definidas pela habilidade das tripulações, pela estratégia e pela execução das manobras na água.

“A chave da vitória foi o treinamento constante. Temos trabalhado intensamente ao lado da equipe do Ginga, e isso fez a diferença em uma disputa extremamente equilibrada, decidida por uma margem mínima de pontos e apenas na última regata. O grande diferencial é manter a equipe unida por muito tempo, com entrosamento, boa harmonia e um trabalho consistente, construído dia após dia, grão em grão” comentou Vitor Lira, velejador de Ilhabela e tripulante do Ciribaí.

Nos Clássicos, o Madrugada (VDS), de Niels Peter Charles Rump, confirmou o título geral depois de uma semana marcada por diferentes condições de vento e disputas técnicas no Canal de São Sebastião.

A categoria Clássicos reúne embarcações históricas, muitas delas construídas há décadas e preservadas por seus proprietários. Além de competir, esses barcos representam o patrimônio da vela, mantendo projetos, características e tradições que marcaram diferentes épocas do esporte.

“O vento sul clássico de Ilhabela proporcionou regatas muito técnicas durante a semana. Tivemos dias melhores e outros mais difíceis, mas conseguimos manter a regularidade necessária para seguir brigando pelas primeiras posições ao longo de todo o campeonato”, avaliou Martin Rupi, da equipe Madrugada, que tinha Lars Grael em seu quadro.

Na RGS Cruiser, a antiga Bico de Proa, o Blue Wind (YCI), de James Bellini, conquistou o título geral, enquanto o Onda (ICS) confirmou a conquista do Campeonato Super 40, superando o tricampeão 4Z Phytoervas (YCSA).

Além das disputas individuais, a Semana Internacional de Vela definiu também o tradicional Troféu por Equipes, conquistado pelo time Imperador Pirata no Vento Azul, formado pelos barcos Sandokan (ORC), Kamehameha (Clássicos) e Blue Wind (RGS Cruiser).

Na ORC Cruiser, o título ficou com o Rudá de Mario Martinez, que destacou o alto nível da flotilha. “Altíssimo o nível, tanto a performance quanto a Cruiser Racer, fazia tempo que eu não via uma semana de vela com tantos barcos, muitos estrangeiros e muito alto nível”

ORC – Classificação Geral

1º – Crioula 52 (VDS) – Eduardo Plass – 10 pontos

2º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 43,5 pontos

3º – Sandokan (YCA) – Carlos Belchor Costa – 65 pontos

ORC Performance

1º – Crioula 52 (VDS) – Eduardo Plass – 10 pontos

2º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 27,5 pontos

3º – Sandokan (YCA) – Carlos Belchor Costa – 39 pontos

ORC Cruiser Racer

1º – Rudá (CIR) – Mário Augusto Martinez – 30 pontos

2º – Xamã (ICSYCIB) – Sergio Klepacz – 32 pontos

3º – Terroso (ICSC) – Carlos Augusto de Matos – 32,5 pontos

BRA-RGS – Classificação Geral

1º – My Boy (LISARB) – Lars Andreas Muller – 16 pontos

2º – Plâncton (ICSC) – Jonas E. Chorociejus – 19 pontos

3º – Homo Erectus (ICSC) – Luciano J. T. Moreira – 25 pontos

BRA-RGS A

1º – Albariño (ACAL) – Marcelo Cipolina – 13 pontos

2º – Avohai (PIC) – Luiz Henrique Macedo – 16 pontos

3º – Dourado (ICB) – Paulo Jorge Mendes e Menezes – 20 pontos

BRA-RGS B

1º – Homo Erectus (ICSC) – Luciano J. T. Moreira – 16 pontos

2º – My Boy (LISARB) – Lars Andreas Muller – 17 pontos

3º – Deja Vu (Marina Bracuhy) – Nuno Marques – 23 pontos

BRA-RGS C

1º – Plâncton (ICSC) – Jonas E. Chorociejus – 13 pontos

2º – Rainha Inaê (Pier 27) – Beto Umbuzeiro – 35,5 pontos

3º – 8 Jacaré (YCI) – Pedro Fukui – 36 pontos

Classe C30

1º – Relaxa Building (YCI) – Tomás Mangabeira Albernaz – 19 pontos

2º – Kaikias EMS (YCI) – Daniel Hilsdorf – 24,5 pontos

3º – Conquest (GVI) – Marco Hidalgo – 28 pontos

RGS Cruiser

1º – Blue Wind (YCI) – James Bellini – 8 pontos

2º – Mandachuva (ICRJ) – Mario Garcia – 13 pontos

3º – Invocado (ICRJ) – Marco Polo de Mello Lopes – 23 pontos

RGS Cruiser A

1º – Blue Wind (YCI) – James Bellini – 8 pontos

2º – Mandachuva (ICRJ) – Mario Garcia – 13 pontos

3º – Invocado (ICRJ) – Marco Polo de Mello Lopes – 21 pontos

RGS Cruiser B

1º – Kaupê (Marina 188) – Pedro Machado – 7 pontos

2º – BL3 Mangalô (BL3) – Pedro Rodrigues – 14 pontos

3º – Bossa Nova (LISARB) – Valéria Ravani – 15 pontos

RGS Cruiser C

1º – BL3 Urca (BL3) – Clauberto Andrade – 10 pontos

2º – Cerostress (CRUA) – Hernan Chareum – 11 pontos

3º – Terra Azul (UBALEGRIA) – Josias Gomes – 19 pontos

Clássicos geral

1º – Madrugada (VDS) – Niels Peter Charles Rump – 12 pontos

2º – Chancegger (YCA) – Fred Paim – 17 pontos

3º – Kamehameha (PIC) – Alberto Henrique Kunath – 19 pontos

Clássicos A

1º – Chancegger (YCA) – Fred Paim – 9 pontos

2º – Kamehameha (PIC) – Alberto Henrique Kunath – 11 pontos

3º – Morgazek (YCI) – Michele D’Ippolito – 19 pontos

Clássicos B

1º – Madrugada (VDS) – Niels Peter Charles Rump – 8 pontos

2º – Fjord V (CNSI) – Rodrigo Cella – 15 pontos

3º – Asteriscus (ICS) – Luiz Rosenfeld – 19 pontos

Clássicos C

1º – Angatu (UBALEGRIA) – André Torrente Rovaroto – 9 pontos

2º – Sete Ondas (ICAR) – Marco Antonio Aleixo – 11 pontos

3º – Baforada 3 (Marina do Engenho) – Sylvestre Pereira dos Santos Filho – 31 pontos

HPE25

1º – Ciribaí (GVI) – Mario Lindenhayn – 21 pontos

2º – Ginga (GYC) – Breno Chvaicer – 22 pontos

3º – Mr. Pilot (ICRJ) – Franklin de Vasconcelos Souza – 34 pontos

Campeonato Super 40

1º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 11 pontos

2º – 4Z Phytoervas (YCSA) – Marcelo Bellotti / Fábio Bruggioni – 17 pontos

3º – Saci (YCI / ICS) – Mauro Dottori – 18 pontos

Troféu por Equipes

1º – Imperador Pirata no Vento Azul – 46 pontos

Sandokan (ORC)

Kamehameha (Clássicos)

Blue Wind (RGS Cruiser)

2º – Tridente del Plata – 87 pontos

Der Bekannte 2 (ORC)

Albarino (BRA-RGS)

Cerostress (RGS Cruiser)

3º – My King Blá Blá Blá – 91 pontos

King (ORC)

My Boy (BRA-RGS)

BL3 Urca (RGS Cruiser)

A 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval tem o Banco Daycoval como patrocinador master, Mitsubishi Motors e FF Seguros, uma empresa Fairfax, como patrocinadores oficiais, Marinha do Brasil como parceiro oficial, Genoa Capital como patrocinadora da Regata Vela do Amanhã Mauro Dottori, Pousada Manga Rosa como hotel parceiro e realização do Yacht Club de Ilhabela.