No total, cerca de 67 mil pessoas foram retiradas das duas áreas ameaçadas pelas chamas, Cap Ferret, na Gironda (onde o fogo já queimou mais de 12.500 hectares, mais que a área de Paris), e no departamento de Landas (sudoeste).
Este ano é o segundo com maior área queimada por incêndios na União Europeia desde que começaram os registros, há 20 anos, segundo dados de satélites do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis) analisados pela AFP.
Desde o início do ano, mais de 50 mil hectares queimaram em incêndios na França, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2025, indicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em um ginásio poliesportivo na cidade de Lège Cap Ferret, Maria Lalanne, uma moradora de 90 anos e sem família, foi retirada durante a noite e teve que deixar em casa o seu aparelho auditivo e seus óculos. “Não sei quanto tempo isso vai durar. Não sei o que aconteceu com a minha casa”, diz, atordoada.
As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem, há meses, com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atravessaram o continente em junho e julho, fazendo evaporar mais água.
É precisamente a mudança climática, causada principalmente pela combustão contínua de petróleo, carvão e gás, que torna mais grave a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira (23).
