80% das empresas não encontram talentos. Estão procurando errado?

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80% das empresas não encontram talentos. Estão procurando errado?

É verdade que algumas posições exigem experiência específica e busca no mercado. Nem toda vaga pode ser preenchida internamente. Mas quando a contratação externa vira regra e a formação interna vira exceção, o mercado entra num ciclo perigoso. A empresa reclama que não encontra gente preparada, disputa os poucos profissionais prontos disponíveis, aumenta salário para atraí-los e, algum tempo depois, perde para outra empresa disposta a pagar mais. O talento circula, mas não se multiplica.

Formar pessoas sempre foi parte essencial do crescimento das melhores empresas. Existiam programas de entrada, acompanhamento próximo, gestores que ensinavam a operação. A pessoa entrava para ocupar uma posição, mas também para construir uma carreira.

Várias empresas entenderam isso e criaram universidades corporativas e programas de formação interna. O McDonald’s mantém a Hamburger University desde 1961. Mas nenhuma universidade corporativa substitui o gestor que ensina, acompanha e confia no dia a dia.

Porque formação de verdade não acontece apenas numa plataforma. Ela se constrói no cotidiano, quando o gestor explica não só o que precisa ser feito, mas por que aquilo importa. Quando dá retorno no momento certo. Quando permite que alguém assuma uma responsabilidade antes de estar completamente pronto e acompanha o erro sem destruir a confiança.

Hoje, em muitas organizações, o gestor está tão pressionado pela operação que deixou de olhar para a formação da equipe. Passa o dia resolvendo urgências, participando de reuniões, cobrando entregas. E o desenvolvimento virou responsabilidade exclusiva do RH.

O RH pode criar programas e ferramentas. Mas é o líder direto quem transforma trabalho em aprendizado.