O Real Madrid promoveu uma das maiores reformulações do futebol europeu nesta janela de transferências, mas sem precisar abrir mão de nenhuma de suas principais estrelas. Enquanto as atenções se voltam para as chegadas de reforços e para as mudanças no elenco, o clube espanhol vem acumulando receitas milionárias de maneira discreta, principalmente graças aos jogadores formados em Valdebebas.
Somando as contratações de Marc Cucurella, Denzel Dumfries e o pagamento da multa rescisória para tirar José Mourinho do Benfica, o Real Madrid investiu cerca de 90 milhões de euros no mercado antes mesmo de pagar cerca de 120 milhões em Yan Diomandé.
Mercado do Real Madrid 2026
Vai e vem, rumores e transferências do Real Madrid na janela
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À primeira vista, o valor parece alto para um clube que realizou poucas vendas do elenco principal. Oficialmente, porém, os merengues arrecadaram apenas 7,5 milhões de euros com as saídas de Fran García, negociado com o Betis por 4 milhões, e Mario Martín, vendido ao Getafe por 3,5 milhões. Mas esse balanço muda completamente quando entram na conta os negócios envolvendo jogadores revelados nas categorias de base.
Gonzalo García e Nico Paz aumentam o lucro do Real Madrid
As maiores receitas desta janela vieram justamente de Valdebebas. Segundo o site inglês “The Athletic”, o Real Madrid negociou Gonzalo García com o Fulham por 40 milhões de euros, enquanto César Palacios também seguiu para o clube inglês por 10 milhões.
As duas operações renderam 50 milhões aos cofres merengues e reforçam uma estratégia adotada pela diretoria nos últimos anos: transformar a base em uma importante fonte de receita, mesmo quando os atletas não conseguem espaço no elenco principal. Esses valores se somam a uma série de receitas obtidas por meio de cláusulas de revenda incluídas em negociações anteriores.
Um dos pilares da estratégia do Real Madrid é manter percentuais sobre futuras vendas de jovens revelados em Valdebebas. Em muitos casos, o clube preserva 50% do lucro de uma transferência futura, permitindo que continue faturando anos depois de negociar um atleta.
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O exemplo mais lucrativo nesta janela foi o de Nico Paz. Considerado uma das maiores joias da base madridista, o meia havia sido vendido ao Como, mas o Real Madrid manteve mecanismos contratuais que acabaram rendendo um retorno milionário.
Depois de o clube italiano optar por cancelar a cláusula de recompra existente no contrato, os espanhóis embolsaram aproximadamente 51 milhões líquidos, além de preservarem novas condições para uma possível recompra futura.
Outro caso de sucesso foi o de Víctor Muñoz. Após ser negociado com o Osasuna, o atacante explodiu no futebol espanhol, chegou à seleção e acabou vendido ao Liverpool por 40 milhões de euros. Como o Real Madrid havia mantido 50% dos direitos de uma futura transferência, recebeu automaticamente 20 milhões.
Somando esse valor aos 25 milhões pagos anteriormente pelo Osasuna para contratá-lo em definitivo, o clube arrecadou 45 milhões com um jogador que fez apenas quatro partidas pela equipe principal.
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Dupla sem espaço também rendeu milhões ao Real Madrid
A lista de receitas continua com outros atletas formados em Valdebebas. O zagueiro Mario Gila, vendido pela Lazio ao Milan por 30 milhões, garantiu 15 milhões ao Real Madrid graças ao percentual mantido sobre uma futura negociação.
Já Alex Jiménez, lateral que nunca chegou a estrear pelo time principal, também gerou lucro. O Bournemouth desembolsou 18,5 milhões para tirá-lo do Milan, e metade desse valor, 9,25 milhões, acabou nos cofres do clube espanhol.
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Ao todo, somente essas operações renderam mais de 170 milhões de euro (R$ 994 milhões) ao Real Madrid, praticamente financiando toda a janela de transferências sem a necessidade de vender jogadores considerados titulares ou protagonistas do elenco.
E a diretoria madridista acredita que essa fonte de receita continuará crescendo nos próximos mercados. Um dos nomes acompanhados é Sergio Arribas, destaque do Almería na última temporada. O meia desperta interesse de clubes europeus, entre eles o Benfica, e uma eventual venda pode render mais 6 milhões ao Real Madrid graças à cláusula de revenda mantida pelo clube.
Outro jogador que seguirá sendo observado é Álvaro Rodríguez. Revelado em Valdebebas e autor de um gol marcante contra o Atlético de Madrid em 2023, o atacante defenderá o Bournemouth na próxima temporada e também poderá gerar receitas futuras caso seja novamente negociado.
A política adotada pelo Real Madrid mostra como o clube transformou sua categoria de base em um ativo financeiro estratégico — diferente do rival Barcelona, que usa esses jogadores no clube. Em vez de depender apenas da venda de grandes estrelas, os merengues passaram a lucrar continuamente com jogadores que muitas vezes sequer se consolidaram no Santiago Bernabéu, e tem gerado grande receita.
