Pequim define as grandes prioridades enquanto os governos locais executam e competem entre si para ver quem apresenta os melhores resultados.
Para Jin, essa competição explica boa parte do dinamismo chinês. E, de fato, funcionou por um tempo. O problema é que, quando esse motor acelera demais, os efeitos colaterais aparecem. Conversei com algumas pessoas de lá que me deram exemplos de empresas e produtos que não faziam o menor sentido existir.
Quando surge uma tendência, toda província quer ter seu próprio campeão. Então os governantes locais criam subsídios, formas de financiamento, atraem talentos para fazer a coisa acontecer. E, de repente, o país acorda com centenas de empresas fazendo o mesmo produto.
Em um mercado de competição saudável, as empresas inovam e diferenciam produtos e serviços que criam valor. Mas com essa forcinha dos governos locais, muitas empresas simplesmente repetem as mesmas estratégias e disputam um mercado limitado em que a competição vira um jogo de soma negativa. Além do melhor não vencer, muitas vezes o pior prejudica o mercado como um todo fazendo guerra de preços.
Pequim já percebeu o tamanho do problema. No fim do ano passado, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento econômico do país, comunicou que já tinha mais de 150 empresas fabricando robô humanoide, boa parte com produtos quase idênticos. Foi quando o risco de bolha pipocou.
Em março deste ano, o combate à competição involutiva entrou oficialmente na agenda econômica nacional. O governo anunciou medidas para controlar o excesso de capacidade, aumentar a fiscalização de preços e qualidade e estimular uma mudança da “competição por preço” para a “competição por valor”, além de pensar na consolidação em grandes players.
