Pesquisadores acreditam que essas pessoas tenham variações genéticas que lhes permitem prosperar com menos horas de sono. Fu cita o caso de uma pessoa de 80 anos com essa característica que continuava competindo em provas de triatlo.
Em 2009, o laboratório de Fu identificou a primeira dessas variações, no gene DEC2. Dez anos depois, os pesquisadores publicaram um estudo sugerindo uma ligação entre a síndrome do sono curto natural e o gene ADRB1. Posteriormente, outras variantes genéticas associadas ao fenômeno foram encontradas nos genes NPSR1, GRM1 e SIK3, entre outros, que ainda estão sendo investigados.
Os cientistas preferem falar em “variações” genéticas, e não em “mutações”, já que o segundo termo costuma estar associado a efeitos negativos para a saúde. Até o momento, o sono natural de curta duração não parece trazer os mesmos riscos observados em pessoas que dormem pouco por hábito ou porque sofrem de privação de sono.
As funções desses genes são variadas. DEC2: ajuda a regular a duração dos ciclos de sono e vigília; ADRB1: participa da sinalização cardíaca e neuronal; NPSR1: contribui para regular estados de alerta e ansiedade; GRM1: está ligado ao funcionamento cerebral e pode ter relação com a depressão; e SIK3: participa da regulação celular, metabólica e inflamatória. Cada uma dessas descobertas exigiu anos de pesquisa.
“Cada indivíduo possui entre 500 e 1.000 variações exclusivas em seu genoma. Identificar qual delas realmente causa determinado efeito é extremamente difícil”, explica Fu.
Sono melhor impacta a humanidade
O número de pessoas identificadas como “dormidoras naturais de curta duração” ainda é pequeno. Mesmo assim, Fu acredita que o fenômeno possa ser mais comum do que estudos atuais indicam.
