Só que essa contagem deixou de ficar dentro da máquina e passou a ser usada como medida para outras dimensões da vida humana: trabalho, produtividade, atividade econômica e até mesmo para cálculo de impostos.
Um tempo atrás, escrevi sobre uma mudança de comportamento pela qual as empresas estavam passando ao incentivar a maximização do uso de tokens pelos seus funcionários, buscando a promessa de ganho de produtividade. Isso tinha até ganhado um nome: Token Maxxing.
Mas essa lógica de transformar tokens em uma espécie de unidade de medida já começa a escapar das empresas e chegar ao debate econômico.
Nesta semana, Bill Gates escreveu uma importante carta sobre o avanço da tecnologia. Entre muitas coisas, ele defendeu a cobrança de impostos sobre tokens de IA como forma de compensar a destruição de trabalhos humanos.
Os dois exemplos mostram que há um movimento meio afobado para tentar metrificar as coisas do mundo por meio de tokens. Em alguns casos, pode fazer sentido, em outros não.
No caso da sugestão do Bill Gates, já tem muitos comentários de que ele acerta no diagnóstico, mas erra no remédio. Tributar token de IA seria como tributar teclas de máquinas de escrever, o que mede o esforço, mas não necessariamente a substituição de trabalho.
Se vamos mesmo usar tokens para calcular preço, produtividade ou até imposto, precisamos lembrar que, antes de medir o mundo com uma régua, é bom saber quem foi que desenhou as marcações – e se elas fazem sentido.
