De uma forma geral, explica Lopes, o mercado de proteção vem mudando e evoluindo, apesar de a conscientização da maioria ainda precisar mudar. “Não sei se você já leu o livro “O Rinoceronte Cinza”. Ele mostra que, de um lado, existe o cisne negro, que pode ser uma crise como a do subprime ou a da covid, eventos que não eram previstos e que se tornam catastróficos. Já o rinoceronte cinza é aquele risco que você enxerga chegando”, diz Lopes.
É como descer do carro em um safári e ver o rinoceronte lá longe, mas sabendo que ele vai chegar. “É preciso tomar uma ação, porque, se deixar para agir quando ele estiver muito próximo, a sua capacidade de manobra será pequena. Um rinoceronte pode atingir 40 km/h. Ele vai te derrubar”, compara a presidente da Marsh Brasil.
Apesar disso, acrescenta a executiva, as tragédias do Rio Grande do Sul em 2024 não deixaram de legado uma preocupação maior com a questão da proteção.
“Hoje, por exemplo, a penetração da cobertura contra alagamentos está abaixo de 10%. Isso ajuda a explicar o que vimos no Rio Grande do Sul. De cerca de R$ 120 bilhões em perdas, o mercado segurador pagou algo entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. A penetração do seguro ainda é bastante pequena”, ratifica Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter no Brasil.
Por uma questão de distribuição e das próprias políticas de compra dos segurados, afirma o executivo da área de resseguros, o mercado tem uma penetração de seguros agrícolas muito menor no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste do que no Sul. “Isso é um problema porque, do ponto de vista da resiliência, seria importante que mais pessoas estivessem cobertas. Mas existem vários fatores envolvidos, como a forma de como o crédito chega ao produtor, o papel das cooperativas, os canais de distribuição e até o fato de o próprio comprador, muitas vezes, não querer adquirir o seguro ou não considerar que o produto vale a pena.”
Farme calcula que cerca de 80% das seguradoras que operam riscos massificados oferecem coberturas contra alagamento, mas a penetração está abaixo de 10%. “O mercado simplesmente não compra”, diz. E isso, segundo o executivo, não acontece apenas no Brasil. “Se você olhar para a Europa, verá situações parecidas, inclusive em países de renda muito elevada.”
