Não discutiram a política previdenciária, as vinculações, as indexações, a rigidez orçamentária, os gastos tributários, os subsídios creditícios, enfim, toda a miríade de problemas conhecidos da seara fiscal. Criticaram a atual política econômica, mas não propuseram nada de concreto para substituí-la.
Nas democracias consolidadas, o debate é fundamental. Que bom que se dispuseram a isso, mas suas posições não revelaram a existência de um programa econômico propriamente dito, a meu ver.
Adolfo, que conheço há tempos, desde a minha época de Senado e IFI, quando ele estava no Ipea, resolveu, na sua fala final, criticar a reforma tributária do consumo. Eu mesmo tenho diversas críticas a ela, vale destacar.
O problema é que ele cometeu graves erros. Sinalizou que o fundo da reforma, o FNDR, não estaria recebendo recursos. Apostou um almoço, ali, publicamente, comigo. Bem, o fato é que a Lei nº 15.296, de 22 de dezembro de 2025, promoveu crédito suplementar de R$ 8,3 bilhões, cumprindo a Emenda Constitucional nº 132/23.
Se o momento eleitoral impede um formulador de indicar caminhos e ações concretas, ao menos que se evite deixar dúvidas que sugiram, na verdade, retrocessos. Não se pode, simplesmente, espinafrar uma reforma constitucional, que já é realidade, sem dizer o que colocaria no lugar.
Criticar propostas, medidas e ações dos governos é fundamental nas democracias consolidadas. Assim, o Lide está de parabéns pela organização do debate de hoje, ao jogar luz sobre as questões econômicas mais prementes.
