O cartão de crédito aparece como campeão absoluto da modalidade de crédito preferida, respondendo por 85% da composição da dívida das famílias. Por ser um tipo de crédito praticamente automático e sem garantias, os juros cobrados no chamado “rotativo” — quando o tomador parcela a fatura mensal — sempre foram estratosféricos, acima de 300% ao ano.
Vale-tudo no crédito
É baixa, porém, a relação entre os juros básicos (taxa Selic), decididos pelo Copom (Comitê de Política Monetária), colegiado que reúne presidente e diretores do BC, e as taxas cobradas nos cartões de crédito. Se atualmente, com juros básicos a 14%, os juros do rotativo estão em 430% ao ano, entre agosto de 2020 e março de 2021, quando a Selic desceu a 2%, os juros do rotativo permaneciam acima de 300% ao ano.
A regra, embutida no programa Desenrola, que limita juros e encargos do rotativo ao dobro da dívida original contraída não tem impedido o avanço do endividamento. Mais de 80% das famílias brasileiras têm alguma dívida ativa no momento e esse percentual tem se mostrado crescente. Sua origem remonta à abertura do mercado a bancos digitais, instituições de pagamento, SCDs (sociedades de crédito direto) e SEPs (sociedades de empréstimos pessoais), a partir de 2018. Ocorreu aumento exponencial de ingressantes no mercado de financiamentos.
Essa expansão foi potencializada pelo advento do Pix, que levou à bancarização de mais de 95% da população adulta, com reflexo direto na disseminação de cartões de crédito e acesso a linhas de crédito.
O universo de empresas financiadoras, em termos amplos, considerando também as de tecnologia que dão suporte a operações com Pix, envolve hoje cerca de três mil instituições, das quais quase metade não é diretamente supervisionada pelo BC.
