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A morte de Lucia Sisic, a mais recente Miss Áustria, colocou o mundo dos concursos de beleza em luto nesta semana. A notícia foi confirmada na segunda-feira (7) pela página oficial da entidade que organiza a competição austríaca.
Sisic, que tinha 22 anos, era a atual miss de seu país, tendo vencido a disputa realizada em 2024 (não houve edições em 2025 ou 2026). Ela era conhecida por ter falado abertamente sobre sua luta contra problemas cardíacos congênitos que enfrentou ao longo de toda a vida, passando por sete cirurgias.
Apesar do histórico de saúde, a causa da morte de Sisic não foi informada oficialmente, e não há confirmação se houve relação entre o óbito e a cardiopatia da miss.
Conheça mais sobre quadros congênitos que podem afetar as válvulas cardíacas, como ocorreu com Lucia Sisic.
Problemas congênitos no coração
Um defeito cardíaco congênito é uma condição presente já no nascimento de um bebê, afetando a estrutura e o funcionamento do coração da criança. Essas alterações imprevisíveis no músculo cardíacos são consideradas a malformação mais comum, com uma prevalência global estimada em quase 1% dos nascimentos.
A alteração enfrentada por Lucia Sisic não foi divulgada, mas o problema valvar mais frequente ao nascer é a chamada válvula aórtica bicúspide: em condições normais, ela é tricúspide, com três “folhetos” que abrem e fecham para promover a circulação sanguínea; quem nasce com essa alteração, tem apenas dois folhetos.
Em geral, esse defeito congênito não chega a gerar sintomas perceptíveis no começo da vida, mas a válvula bicúspide tende a sofrer um desgaste mais acelerado com o passar dos anos, aumentando a chance de problemas como estenose e regurgitação aórtica, além de aneurismas. Em todos os casos, o sangue circula de forma menos eficiente, com riscos como insuficiência cardíaca e complicações fatais se não houver tratamento.
Outros defeitos congênitos mais frequentes no coração incluem a estenose pulmonar valvar (um estreitamento da válvula que liga o coração à artéria pulmonar) e o defeito do septo atrioventricular (ou DSAV, quando há aberturas entre os átrios e ventrículos do coração, comprometendo o funcionamento das válvulas).
Como é o diagnóstico e tratamento
Atualmente, o teste do coraçãozinho é o primeiro grande exame de triagem para problemas cardíacos congênitos. Realizado entre 24 e 48 horas após o nascimento, ele avalia a saturação de oxigênio com medições na mão e no pé do bebê. Caso haja resultados suspeitos, a criança pode ser encaminhada para exames complementares, como um ecocardiograma.
Nem sempre os defeitos congênitos vão gerar sintomas logo após o nascimento. Quando eles ocorrem, costumam estar relacionados à falta de oxigenação adequada pelo corpo, com o sinal mais comum sendo a cianose, a pele azulada na criança. Se o problema só é percebido mais tarde na vida, a fadiga excessiva, palpitações e falta de ar costumam ser os primeiros sinais de alerta de que algo não vai bem no músculo cardíaco.
Defeitos nas válvulas do coração são corrigidos com cirurgias, como no caso de Lucia Sisic. O tipo de operação depende de fatores individuais e da característica do quadro. Podem ser realizados reparos na válvula já existente ou sua substituição por válvulas mecânicas ou biológicas, de acordo com avaliação médica.
Em muitos casos, pode ser necessário repetir a cirurgia após determinado número de anos, quando a válvula voltar a sofrer desgaste. Por esse emotivo, pessoas com defeitos congênitos no coração devem realizar acompanhamento cardiológico de rotina ao longo da vida, para detectar novas alterações cedo o bastante e realizar novos tratamentos e intervenções quando necessário.
