Os rendimentos de dois anos, que são mais sensíveis às mudanças nas expectativas de inflação e taxa de juros, subiram em média 22 pontos-base, com os de grandes impo rtadores de energia, como Itália e Reino Unido, registrando os maiores aumentos. “Mais uma vez, são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo”, disse o estrategista do Deutsche Bank Jim Reid.
O Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira e alertou que as pressões sobre os preços podem se mostrar duradouras, enquanto dados que mostram que os preços ao produtor nos EUA aumentaram em agosto alimentaram as apostas de uma alta iminente dos juros quando o Federal Reserve se reunir na próxima semana.
O aumento vertiginoso dos endividamentos públicos nos mercados desenvolvidos também se tornou uma fonte persistente de preocupação, com os investidores exigindo maior remuneração para manter títulos de dívida soberana.
Os rendimentos da dívida soberana servem como ponto de referência para os preços dos ativos nos mercados financeiros, e esse custo mais alto do dinheiro significa taxas de hipotecas mais elevadas para os consumidores e escolhas de gastos mais difíceis para os governos conforme os custos da dívida sobem.
“Estamos vendo uma tempestade perfeita formada por preços mais altos do petróleo, mais temores de inflação, postura hawkish dos bancos centrais e preocupações contínuas com déficits fiscais, tudo isso se combinando para empurrar os rendimentos globais para cima”, disse Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macroeconomia do Bank of Singapore.
“Se os dados do índice de preços ao consumidor forem fortes, os rendimentos do Treasury de 10 anos provavelmente ultrapassarão 5,00%”, disse ele, referindo-se aos dados da inflação ao consumidor dos EUA que serão divulgados ainda nesta sexta-feira.
