Cacique Raoni (Raoni Metuktire) é conhecido como a principal liderança indígena do Brasil. Do povo Kaiapó, desempenha papel importante nos processos de lutas e de reivindicações dos direitos dos povos indígenas.
Entre suas ações, estão a campanha internacional em defesa da Amazônia, realizada junto ao músico inglês Sting, e a atuação na inclusão dos direitos indígenas durante a Assembleia Constituinte (1987-1988).
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Resumo sobre Cacique Raoni
- Cacique Raoni (Raoni Metuktire) é conhecido como a principal liderança indígena do Brasil.
- Ele pertence ao povo Kayapó.
- Nasceu em uma antiga aldeia de sua comunidade, também conhecida como Mebêngôkre, no estado do Mato Grosso.
- Seu primeiro contato com pessoas brancas foi entre 1953 e 1954, com os irmãos Villas-Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa.
- Iniciou a trajetória no ativismo indígena na década de 1950.
- Foi tema de um documentário, Raoni, feito em 1978 por um diretor belga e indicado ao Oscar como Melhor Documentário.
- A partir de 1980, começou uma campanha internacional ao lado do cantor inglês Sting em defesa da Amazônia.
- Atuou na garantia dos direitos indígenas da Constituição de 1988.
- Lutou contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
- Ao longo dos anos, recebeu diversos reconhecimentos e premiações, como a indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 2020.
Biografia de Cacique Raoni
Cacique Raoni (Raoni Metuktire) nasceu por volta de 1930, em uma antiga aldeia do povo Mebêngôkre, conhecido popularmente como Kayapó. A vila chama-se atualmente Kapôt Nhinore e está localizada no nordeste do estado do Mato Grosso.
Em sua juventude, seu povo vivia em aldeias seminômades, sem contato pacífico com a sociedade.
Entre 1953 e 1954, teve seus primeiros contatos com pessoas brancas, os irmãos Orlando e Cláudio Villas-Boas, sertanistas que participaram da equipe de mateiros com o Marechal Cândido Rondon. Foi com eles que Raoni aprendeu a falar a língua portuguesa e a ter conhecimento sobre a realidade social não-indígena. Desde então, passou a ser o principal interlocutor entre a sociedade nacional e os Kayapó.
No final dos anos 1950, encontrou-se pela primeira vez com um presidente do Brasil, o qual, na época, era Juscelino Kubitschek. Esse encontro marcou uma série de outros com governantes de vários países. Em 1964, Raoni conheceu o Rei Leopold III da Bélgica, que fez, nesse período, uma expedição na Amazônia.
O diretor belga Jean Pierre Dutilleux fez uma viagem ao Xingu em meados da década de 1970. Seu objetivo era realizar um documentário para a emissora britânica BBC. Ao conhecer o povo de Raoni, decidiu fazer um filme específico sobre a comunidade. Após encontrar-se com o líder indígena, o belga interessou-se em elaborar um material sobre a figura do cacique. A produção, que recebeu o nome de Raoni, foi indicada ao Oscar de 1978 na categoria de Melhor Documentário.
Devido à construção da BR-080 em 1971, Raoni e os Metyktire foram destaque na mídia diante da resistência em relação ao empreendimento, o qual afetou uma porção do Parque Indígena do Xingu, onde viviam.
Em 1984, passou a reivindicar a demarcação de uma parte do território Mebêngôkre, localizada à margem direita do Rio Xingu. Na ocasião, o líder e seu povo apreenderam uma balsa e bloquearam por mais de um mês a estrada BR-080, no norte do Mato Grosso. Como resultado da luta, ele foi a Brasília para assinar um acordo com o então ministro do Interior, Mario Andreazza. Em seu livro, relata o seguinte:
Depois que fizeram a estrada e reduziram os limites do Parque do Xingu, deixando nosso território de fora, os brancos tentaram a todo custo fazer com que nós, Mẽbêngôkre, saíssemos de nossa terra e nos mudássemos para dentro do Parque. Mas não aceitamos sair da nossa região tradicional, e comecei a lutar em Brasília pela demarcação da nossa própria terra.
Cacique Raoni, livro Memórias do Cacique.
Em fevereiro de 1985, foi homenageado pela Escola de Samba Tradição, do Rio de Janeiro. O samba tinha como título “Xingu, o pássaro guerreiro” e destacou o elemento bélico dos povos do Xingu e a representação de Raoni.
Dedicou-se à inclusão dos direitos fundamentais dos indígenas na Constituição Federal de 1988. No ano seguinte, mobilizou a imprensa internacional na cobertura do 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu. Desde então, o cacique lidera uma forte oposição contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
O evento contou com a presença de centenas de indígenas de vários povos, da mídia nacional e mundial, de ambientalistas como Ailton Krenak e Marcos Terena, e do cantor inglês Sting, com quem Raoni construiu uma amizade.
Raoni e o cantor inglês Sting fizeram uma campanha em prol da demarcação dos territórios indígenas. Juntos, viajaram por 17 países, incluindo Estados Unidos e Japão. Receberam apoio do então presidente da França François Mitterrand, do então rei da Espanha Juan Carlos, do então príncipe Charles da Inglaterra e do Papa João Paulo II.
Sua esposa, Bekwyjkà Metuktire, com quem teve oito filhos, também líder indígena, faleceu aos 90 anos, em 2020. O primogênito de Cacique Raoni foi Umoro. Já seu filho biológico mais conhecido publicamente foi Tedje Mtuktire, líder Kayapó que atuou na presidência do Instituto Raoni. Em 2004, Tedje morreu após um acidente de carro no Mato Grosso. Beptuk Metuktire, neto do cacique, trabalha no Instituto Raoni ao lado de seu avô, além de ser porta-voz da família.
Ao longo de décadas, Raoni acumulou relações internacionais com lideranças mundiais, acordos, reconhecimentos, premiações e conquistas em prol dos direitos indígenas.
Em 2026, aos 94 anos, foi diagnosticado com um câncer no aparelho digestivo, um adenocarcinoma pouco diferenciado, de comportamento agressivo, na região do duodeno. Atualmente, recebe cuidados paliativos na casa da família, no Mato Grosso, devido à impossibilidade de remoção do tumor e aos riscos ligados, principalmente, à idade e às outras doenças.
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O que Cacique Raoni fez de importante?
Cacique Raoni (Raoni Metuktire) marcou a história da luta pelos direitos indígenas e é considerado um ícone do processo de reivindicação e mobilização dos povos indígenas.
Desde 1954, foi protagonista em diversos movimentos em prol dos povos indígenas e da Amazônia, passando a ser reconhecido internacionalmente como um porta-voz da preservação do meio ambiente.
Em 1978, deu nome a um documentário dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e por Luiz Carlos Saldanha, que foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Documentário.
Em 2019, encabeçou uma campanha que advertiu o mundo sobre o desmatamento na Amazônia, sobre as ameaças do agronegócio, sobre os garimpeiros e sobre os madeireiros. O movimento buscou apoio para garantir proteção dos seus territórios e fortalecimento sociocultural dos povos indígenas.
Um pouco antes do início da pandemia de covid-19, no início de 2020, ocorreu o primeiro encontro na aldeia Piraruçu, intitulado “Chamado do Cacique Raoni”. Na ocasião, reuniram-se aproximadamente 600 indígenas de 45 povos, do Xingu e de diversas regiões do país, como forma de demarcar o posicionamento dos povos contra a gestão federal vigente e de fortalecer a defesa dos projetos das comunidades indígenas.
Em julho de 2023, aconteceu a segunda edição desse encontro. O evento serviu de cenário para o documentário “O chamado do cacique: herança, terra e futuro”. O filme apresenta uma mensagem socioambiental tanto para o território brasileiro quanto para o mundo. Foi exibido em diversos festivais, incluindo o UK-Brazil Forum, da Universidade de Oxford, em Londres.
Criou o evento anual “Em defesa da Terra”, que reúne indígenas de várias etnias do país junto com líderes políticos e com outras autoridades para debaterem temáticas como a demarcação das áreas indígenas e mudanças climáticas.
Onde vive o Cacique Raoni?
Cacique Raoni (Raoni Metuktire) vive na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Gross. O território conta com mais de 630 mil hectares de extensão e contempla diversas aldeias que mantêm costumes do povo Kayapó. Nessa região também vivem os Tapayuna, com tradições semelhantes ao povo de Raoni.
A demarcação dessa terra aconteceu em 1984, após um processo de reconhecimento junto ao governo federal.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é de que 1,6 mil indígenas vivem nas aldeias de Capoto-Jarina.
O que Cacique Raoni usa na boca?
Cacique Raoni (Raoni Metuktire) usa o botoque, disco de madeira no lábio inferior, utilizado por chefes de guerra e por grandes oradores das comunidades.
O botoque é usado somente pelos homens e é um símbolo relacionado à oratória e à comunicação verbal.
O item também é utilizado por algumas etnias africanas, como é o caso dos Mursi, do sul da Etiópia.
Povo do Cacique Raoni
Cacique Raoni (Raoni Metuktire) pertence ao povo Kayapó, que vive em aldeias localizadas ao longo do Rio Xingu, no Mato Grosso. O território desse povo é quase do tamanho da Áustria.
De origem tupi, termo Kaiapó quer dizer “semelhante a macacos” e teria sido atribuído a eles pelas comunidades indígenas vizinhas. A origem do nome pode estar associada à tradição de dança com máscaras de macaco.
Um dos principais símbolos desse povo são os círculos, pois o curso do Sol e da Lua são circulares.
No século XIX, os Kayapó estavam divididos em três grandes grupos: Irã’ãmranh-re (“os que passeiam nas planícies”), os Goroti Kumrenhtx (“homens do verdadeiro grande grupo”) e os Porekry (“homens dos pequenos bambus”).
Dessas formações, descendem os sete subgrupos Kayapó que existem atualmente: Gorotire, Kuben-Krân-Krên, Kôkraimôrô, Kararaô, Mekrãgnoti, Metyktire e Xikrin.
A pintura corporal é um aspecto marcante na cultura do povo Kayapó tem relação com o comportamento social. As principais cores utilizadas são o preto e o vermelho.
Homenagens a Cacique Raoni e prêmios recebidos
- 1977: Apresentação do filme Raoni no Festival de Cannes.
- 1978: Indicação ao Oscar na categoria Melhor Documentário – Documentário sobre Raoni, dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e por Luiz Carlos Saldanha.
- 2008: Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
- 2012: Primeiro indígena vivo escolhido para ser homenageado no Prêmio Culturas Indígenas.
- 2020: Indicação ao Prêmio Nobel da Paz.
- 2021: Título de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), durante o Congresso Mundial da União, em Marselha, França.
- 2025: Ordem Nacional do Mérito, no Grau de Grã-Cruz, a mais alta condecoração do Estado brasileiro.
- 2025: Prêmio Cultural Liberatum, Londres.
Créditos de imagem
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Fontes
CASTRO, Haroldo. O disco labial é uma decoração que sublinha a beleza feminina ou é uma mutilação do corpo? Época, 2017. Disponível em:
INSTITUTO Raoni. Cacique Raoni. Instituto Raoni, c2019. Disponível em:
MARASCIULO, Marília. Conheça a história do cacique Raoni Metuktire. Disponível em:
METUKTIRE, Raoni. Memórias do Cacique. Companhia das Letras, 2025.
REDAÇÃO. Conheça a Terra Indígena Capoto-Jarina, lar do cacique Raoni. Portal Amazônia, 2026. Disponível em:
SANTOS, Gilberto Vieira dos. Raoni e o movimento indígena no Brasil. Revista em Pauta: Teoria Social e Realidade contemporânea, 2024. Disponível em:
VESPA, Talyta. Câncer do cacique Raoni: entenda o tumor e por que médicos descartaram tratamento com intenção de cura. G1, 2026. Disponível em: