Por Ana Claudia Paixão – Via MiscelAna
Madonna completa 68 anos neste domingo, 16 de agosto, e não é errado considerar que ela, mais uma vez sozinha, tenha aberto o caminho e transformado o simples ato de envelhecer em uma discussão pública tão persistente. Há décadas perguntam quando ela vai parar, diminuir o ritmo, vestir-se de acordo com a idade ou aceitar tranquilamente o lugar de lenda. Madonna continua respondendo da maneira que sempre respondeu melhor: trabalhando.
E o aniversário chega em um momento especialmente bom. Em julho, ela lançou Confessions II, seu 15º álbum de estúdio e o primeiro com inéditas desde Madame X, de 2019. A continuação de Confessions on a Dance Floor, um de seus melhores discos e responsável por sucessos como Hung Up, trouxe de volta o produtor Stuart Price e, felizmente, não parece uma tentativa desesperada de reproduzir 2005. É Madonna revisitando uma linguagem que ajudou a transformar e descobrindo o que ainda pode fazer com ela 21 anos depois.
A recepção também importa. Confessions II vem sendo tratado como um verdadeiro retorno à forma, com críticas apontando o álbum como seu trabalho mais consistente em duas décadas. O mais interessante é que, por trás da pista de dança, há uma Madonna especialmente autobiográfica, falando de juventude em Nova York, perdas, morte, amor e sobrevivência. Nostalgia existe, claro, mas ela não é o destino do disco.
Talvez seja justamente essa a grande diferença entre Madonna e tantos artistas que atravessaram quatro décadas de sucesso. Ela sempre soube que o próprio passado é patrimônio, mas nunca aceitou morar nele. Fez isso quando trocou a garota de Like a Virgin pela provocação religiosa de Like a Prayer, quando enfrentou o moralismo com Erotica, quando surpreendeu todo mundo com a espiritualidade eletrônica de Ray of Light e quando, já considerada veterana, voltou às pistas de dança com Confessions on a Dance Floor.
O Brasil sabe bem que essa relação ainda está viva. Em maio de 2024, Madonna encerrou a Celebration Tour em Copacabana diante de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas, no maior show de sua carreira. Aquela noite poderia perfeitamente ter funcionado como ponto final: uma celebração monumental de 40 anos de hits diante de um público que atravessava gerações. Mas ponto final nunca combinou muito com ela.
Aos 68 anos, Madonna poderia sobreviver confortavelmente de Vogue, Like a Prayer, Material Girl, Frozen e dezenas de clássicos. Em vez disso, continua lançando discos, provocando, acertando, errando e obrigando o pop a discutir novamente o que espera de uma mulher que simplesmente se recusa a desaparecer.
E talvez este continue sendo seu gesto mais radical. Parabéns, Madonna!
