Bets e novas categorias de gastos pressionam contas das famílias

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Bets e novas categorias de gastos pressionam contas das famílias

É a classe C que, desde 2013, enfrenta anos de frustração, em que o crédito e os bicos foram necessários para manter o padrão de vida. Isso tudo após a década de 2000, marcada pela ascensão e pelo otimismo, de acordo com Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e autor do livro “Brasil da Maioria: 25 anos da classe C”.

Meirelles afirma que, quando o Brasil parou de crescer economicamente, entre 2015 e 2016, o sonho do brasileiro não estacionou. “Ele continuou querendo viajar de avião, mobiliar a casa, trocar o aparelho de TV [como vinha fazendo antes], só que a renda não acompanhou; o crédito, sim”, diz. Somado aos juros altos, isso formou o que ele chama de “tempestade perfeita do endividamento brasileiro”.

O crédito virou peça central do orçamento da classe C. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva feita em julho de 2023, três em cada quatro brasileiros diziam que só conquistaram boa parte de seus bens porque puderam parcelar. Nesse universo, ter dívida não é visto como problema. “No simbólico da classe C, você só está endividado se a sua dívida está em atraso”, diz Meirelles.

O problema aparece no imprevisto. “Uma filha que quebra o braço ou a moto que estraga e te tira do trabalho por três ou quatro dias”, enumera. “Quando você tem um juro como o do Brasil, esse imprevisto vira uma grande bola de neve.”

Enquanto aumentavam o uso do cartão de crédito, os consumidores se viram também diante de novas categorias de gastos que antes não existiam e que, agora, pesam no bolso das famílias. A principal delas são as bets. Também entram na lista as canetas emagrecedoras e os animais de estimação, que, na visão de Meirelles, sugam boa parte da renda sem que as pessoas percebam. Ele cita ainda as compras online em plataformas internacionais como Shopee.

Na balança do endividamento, as bets pesam mais

As apostas já aparecem nos números, ainda que com algumas divergências. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 17% dos brasileiros fizeram apostas online em 2025. Na geração Z, a fatia chega a 27%.