Já imaginou visitar todos os países do mundo? E fazer essa viagem no menor tempo? Robson Jesus (37), natural de Osasco (SP), encarou este desafio e se tornou recordista mundial reconhecido pelo Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o homem a visitar 196 países do mundo no menor tempo.
A ideia surgiu após descobrir que, entre as cerca de 150 pessoas no mundo que concluíram esse feito, não havia nenhum homem negro. Isso o encorajou e utilizou a viagem para enfatizar a representatividade de pessoas negras no turismo.
Sua jornada iniciou na Tailândia em 28 de fevereiro de 2022 e terminou na cidade de São Paulo em 10 de abril de 2024, totalizando dois anos e 42 dias.
Ao Brasil Escola, Robson comenta sobre a importância desta viagem para ele enquanto homem negro, fala sobre curiosidades e como foi a aventura ao redor do mundo.
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1º homem negro a visitar todos os países do mundo
A intenção de realizar o sonho de visitar todos os países do mundo surgiu após a pandemia de Covid-19 e o luto pela perda de pessoas queridas e muito próximas na vida de Robson.
Ao visitar uma amiga nos Estados Unidos, o paulista foi encorajado por ela, que disse com convicção para realizar seus sonhos, enfatizando a ele que ele não poderia permanecer no estado em que estava. Com isso, aos poucos, passou a acreditar na ideia.
Foram oito meses de planejamento. Nesse processo, Robson fez três perguntas: Quanto custa visitar todos os países do mundo? Quem já fez isso? E como eu posso fazer?

Crédito: Arquivo Pessoal.
Fez uma pesquisa detalhada para buscar as respostas dessas questões. Descobriu que, segundo o Guinness World Records, no mundo todo, cerca de 150 pessoas, entre as mais de 8 bilhões, conseguiram realizar o feito de visitar todos os países do mundo.

Crédito: Arquivo
Ao ir atrás de quem eram essas pessoas, surpreendeu-se quando percebeu que não havia nenhum homem negro. Aquilo chamou sua atenção. Encontrou artigos e estudos sobre as barreiras históricas enfrentadas por pessoas negras.
Por exemplo, há 25 anos, negros encontravam dificuldade em entrar na Polônia. No Brasil, país em que mais da metade da população é negra, há pouco mais de uma década, era difícil o acesso ao transporte aéreo devido às desigualdades sociais e econômicas.
Além disso, notou também a falta de pessoas negras na criação de conteúdo de turismo. Enquanto homem negro, decidiu conquistar espaço neste segmento.
“Quanto mais eu estudava, mais inconformado ficava. Até que pensei: Eu vou mudar essa história. Vou realizar esse projeto, quebrar esse recorde e me tornar o primeiro homem negro a visitar todos os países do mundo”
Crédito: Reprodução / Instagram @onegovailonge.
Jornada de desafios
Ao longo dos pouco mais de dois anos de viagem, Robson passou por 35 países das Américas, 49 da Europa, 54 da África, 44 da Ásia e 14 da Oceania.
O maior desafio enfrentado na jornada ao redor do mundo foi a logística, enfatiza Robson. Ele conta que, por começar o percurso no final da pandemia de Covid-19, lidou com fronteiras de alguns países ainda fechadas.
Entre os perrengues enfrentados, quando passava de madrugada na fronteira da Etiópia para o Quênia, rebeldes pararam o ônibus que estava. Pediram para todos descer e chegou a ter uma arma apontada na cabeça.
Durante a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, Robson demorou mais de 12 horas para passar na imigração para entrar no território russo. E na Ucrânia, foi submetido a um interrogatório que durou mais de quatro horas.
Além disso, enfrentou problemas com vistos, caso da entrada na Austrália, que teve seu visto negado e teve que conseguir uma carta para obter a aprovação.
Para enfrentar o cansaço físico e mental, contou com o suporte profissional psicológico e o apoio de amigos e familiares. Além disso, foi acompanhado por um especialista em desenvolvimento humano, que o ajudou tanto no aspecto mental quanto espiritual.
“Conhecer geografia e história abre a mente. Mesmo em relação à religião, por exemplo: eu sou cristão, mas aprendi muito com muçulmanos, budistas e hindus. Além disso, entender geografia ajuda até na economia da viagem. Quem não conhece minimamente os continentes e a localização dos países acaba fazendo roteiros muito mais caros. Eu diria que uma pessoa sem esse conhecimento pode gastar até três vezes mais e ainda corre maior risco de desistir no meio do caminho.”

Crédito: Arquivo Pessoal.
O reconhecimento pelo Guinness World Records ocorreu após o paulista enviar nove evidências de cada país em que passou, tais como assinaturas de testemunhas, fotos de passaporte, reserva de hotel, check-in do GPS. Ao todo, foram, mais de 5,5 mil evidências encaminhadas ao Guinness.
Custos da viagem e trabalho com a internet
Robson saiu da periferia de Osasco, em São Paulo, e vendeu praticamente tudo que tinha para começar sua viagem. O investimento inicial na viagem foi de R$ 90 mil.
O projeto tinha um orçamento de R$ 500 mil, mas, como passou a aprender formas de ganhar dinheiro pela internet e contou com oportunidades diante da criação de conteúdo, o custo total se aproximou de R$ 1 milhão.
O que era um sonho, tornou-se um recorde e seu trabalho. Atualmente, é palestrante, criador de conteúdo, escritor e professor. Ministra aulas de criação de conteúdo e ética, além de realizar workshops.
Em 2025, publicou o livro “Não desperdice seus sonhos: As lições sobre sonhar, realizar e viver com sentido do homem que visitou todos os 196 países do mundo”.
Ele compartilha os conteúdos de viagem em seu perfil no Instagram @onegovailonge.
Crédito: Reprodução | @onegovailonge.
Vivências ao redor do mundo
Robson fez safáris, nadou com águas-vivas, observou ritos e tradições de diferentes nações, nadou com baleias, viu a aurora boreal, visitou as Sete Maravilhas do Mundo.
Conheceu países cuja existência nem sequer sonhava que existiam, caso de Samoa e Tonga. Entre as pessoas mais acolhedoras que encontrou, ele destaca as de Malawi e da Tailândia.
Ele destaca que sua maior surpresa positiva foram os países do continente africano. “Existe um estereótipo muito grande de que só há insegurança, corrupção, pobreza e miséria. Na verdade, foi um dos continentes que mais me impressionou positivamente.”
Os últimos países foram a Namíbia e a África do Sul. Esse período foi de muita ansiedade pelo término da jornada e pelo receio de não saber o que faria depois da viagem, conta o paulista. Mas, ao mesmo tempo, passou por uma sensação prazerosa, de sonho realizado.
Após a viagem, aprendeu a enxergar o mundo de uma outra forma, especialmente no respeito às outras culturas e religiões. “A viagem me transformou e me tornou, de fato, uma pessoa mais humana”.
Crédito: Reprodução | @onegovailonge.
Veja: Quais são os maiores países do mundo?
Por Lucas Afonso
Jornalista