Segundo a mesma pesquisa, 25% dos eleitores podem ser considerados “Lulistas convictos”. Eles se identificam como avessos à família Bolsonaro. Outros 28% são classificados como “Bolsonaristas convictos” (se indentificam como antilulistas). O time dos anti-Lula e anti-Bolsonaro soma 9%. Já os “Não polarizados”, que “não se engajam nem com o antilulismo nem com o antibolsonarismo”, são um contingente nada desprezível: somam 20% dos eleitores, segundo a mesma pesquisa BTG/Nexus.
O sempre proclamado grande estrategista da política Gilberto Kassab, que conseguiu eleger um exército de prefeitos na última eleição, escolheu mal a sua terceira via. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos antilulistas que se apresentam como uma alternativa ao bolsonarismo, não saem do lugar nas pesquisas e estão embolados na lanterna com o influenciador Renan Santos (Missão). O influenciador atrai eleitores nem nem – nem Lula nem família Bolsonaro -, mas repele os mais ‘centrados’ (ou talvez mais pacifistas) com sua comunicação estridente e propostas beligerantes como a da fabricação da bomba atômica.
Talvez Kassab não quisesse emplacar um candidato com chance de vitória, mas apenas angariar forças para se aliar ao potencial vencedor, como vem fazendo o centrão desde a democratização. Preterido entre os três candidatos da lista tríplice de Kassab, o ex-tucano Eduardo Leite talvez fosse o nome com mais capacidade de angariar a simpatia daqueles eleitores que a pesquisa classifica como “não polarizados”.
Ah, o Brasil não está preparado para um candidato gay. O Brasil tampouco estava preparado para um candidato operário na década de 1990 — mas até água mole em pedra dura, de tanto bater, fura. Após Lula disputar três eleições, o Brasil não só se mostrou preparado para um candidato da esquerda operária, como Lula segue no poder, liderando as pesquisas para um possível quarto mandato e tendo eleito uma sucessora nesse meio tempo.
Uma ideia nova precisa de tempo para ser assimilada. A candidatura do centro democrático que vai ser capaz de tirar o Brasil da polarização — equilibrando responsabilidade fiscal e o compromisso genuíno com redução de desigualdade e respeito ao meio ambiente — precisaria começar a ser semeada hoje para alcançar resultados no pleito de 2030.
Para o bem e para o mal, o Executivo Federal deixou de ser a instância com mais capacidade de resolução dos problemas nacionais, perdendo poder para o Legislativo e também para as instâncias estaduais e, sobretudo, municipais. Os prognósticos não são dos melhores, mas ainda há tempo de se informar e tentar eleger um Congresso menos polarizado — mas sem cair no velho centrão.
