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Recentemente, começaram a pipocar nas redes sociais anúncios de um novo “superalimento”: a chlorella, uma microalga de água doce que, de forma semelhante à spirulina, promete trazer benefícios à saúde e entregar uma alta contagem de proteínas.
O alarde é grande, mas a evidência científica a seu favor é muito menor. Embora a chlorella realmente tenha uma série de usos em potencial para a saúde, e venha sendo estudada a sério sobre esses alegados benefícios, trabalhos já publicados geralmente envolvem estudos in vitro ou em modelos animais, e os raros estudos em humanos costumam ser pequenos e inconclusivos.
Uma das questões apontadas pelos críticos é que, mesmo onde parece haver benefícios, a dose tipicamente utilizada na suplementação é tão pequena que não seria capaz de fazer uma diferença significativa na saúde.
Entenda o que já se sabe a respeito da chlorella.
O que a chlorella pode fazer pela sua saúde?
Chlorella é o nome de um amplo gênero de microalgas unicelulares que têm sido cultivadas e transformadas em suplementos encontrados em apresentações em pó, comprimidos e extratos líquidos. Suas características variam muito de acordo com a cepa e o tipo de processamento: a contagem de proteínas, por exemplo, pode superar os 80% ou sequer chegar a 50%, a depender da marca.
As principais promessas em torno da chlorella, além do possível uso como suplemento proteico (a versão em pó poderia ser misturada a shakes, por exemplo), envolvem um suposto potencial em melhorar os níveis de colesterol, reduzir fatores de risco para doenças cardiovasculares e anemia.
Ela também é associada a propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antidiabéticas, entre outros potenciais benefícios.
O que a ciência diz?
Há um número crescente de pesquisas sobre os potenciais da chlorella, mas, de forma quase universal, todas elas chegam a conclusões parecidas: são necessários mais estudos para cravar que a microalga realmente faz o que se acredita.
Os desafios incluem a escassez de pesquisas com seres humanos, o fato de que essas raras investigações costumam ser feitas com grupos pequenos demais para se tornarem estatisticamente relevantes, e uma barreira metodológica em torno do que se entende como chlorella: o produto usado em um estudo pode ser dramaticamente distinto daquele empregado em outro, já que há grandes variações de acordo com a cepa, a dose e a forma de processamento da alga.
A regulamentação frouxa também cria um risco de contaminação por metais pesados em versões de menor qualidade.
Nesta meta-análise de 2022, por exemplo, pesquisadores iranianos encontraram benefícios na suplementação de Chlorella vulgaris frente aos níveis de triglicerídeos e colesterol “ruim” LDL.
Mas o próprio trabalho reconhece que nem todos os estudos trouxeram resultados conclusivos, além de serem invariavelmente pequenos – eles selecionaram 10 trabalhos diferentes que, somados, só reuniram um total de 539 participantes.
Em outro trabalho de revisão mais recente, publicado em maio deste ano por investigadores poloneses, a conclusão foi semelhante: testes preliminares sugerem benefícios potenciais diante de questões como hipercolesterolemia, hipertensão e diabetes.
“No entanto, algumas preocupações em relação à segurança, contaminação e heterogeneidade da composição permanecem” e, além disso, “a evidência para os benefícios à saúde é na melhor das hipóteses moderada, e mais pesquisa nessa área é necessária”.
Muitos dos benefícios atribuídos à chlorella também podem ser alcançados por meio de uma alimentação equilibrada, que inclua bons níveis de macronutrientes, vitaminas e minerais através do próprio prato de comida.
Por isso, o ideal é não fazer a suplementação por conta própria, e ouvir antes um profissional da área de nutrição. Mesmo decidindo investir na microalga, vale ter em conta que as potenciais vantagens ainda não são certeza absoluta entre os especialistas.
