Crise no agro gera calote e transforma bancos em ?fazendeiros?

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Crise no agro gera calote e transforma bancos em ?fazendeiros?

“Quando a Selic caiu [entre 2020 e 2021], a vida fácil da Faria Lima com títulos da dívida pública acabou. Aí, apareceu um tal de agro, que é pop. Foi quando a Faria Lima calçou a botina e começou a emprestar para o produtor rural”, diz Anderson Galvão, da Céleres Consultoria, com mais de duas décadas de análise do mercado rural.

“Era uma facilidade muito grande para pegar crédito”, diz o advogado Victor Andrade, de Goiás, especializado em recuperação judicial de produtores rurais.

“O gerente do banco ligava para o produtor toda semana para oferecer dinheiro. Muitas vezes, o produtor dizia que não estava precisando. E o gerente insistia: mas eu tenho R$ 10 milhões para você, me dá ok que entra na sua conta agora”, afirma Andrade.

Muitos produtores aproveitaram o crédito farto para tentar escalar sua produção. Mas não contavam que o jogo fosse virar.

A partir de meados de 2023, os preços das commodities agrícolas entraram em um ciclo de baixa, em particular o da soja. Uma saca de 60 kg do Mato Grosso, por exemplo, chegou a valer acima de R$ 190 no pico de 2022, em março. Em menos de dois anos, a cotação caiu para R$ 105, e, em agosto deste ano, ainda estava abaixo de R$ 130, segundo dados da Agrolink.

Enquanto o preço da soja caiu e afetou as receitas, os insumos ficaram mais caros, principalmente os fertilizantes, devido à guerra na Ucrânia. A conta ficou ainda mais difícil de fechar com eventos climáticos extremos, que reduziram a produção em algumas regiões.