As pesquisas novas divulgadas mostram a vantagem do atual presidente, ou seja, não alternância de poder, o que gera dúvidas em relação à agenda econômica e a política fiscal. Além disso, o relatório do banco JPMorgan, reduzindo a recomendação de investimento no Brasil, também se soma a esses fatores. Gustavo Sung, economista-chefe da Subo Research
No exterior, preço do petróleo perto de US$ 90 também alimenta aversão a risco. O contrato futuro com entrega em outubro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, fechou em alta de 1,36%, cotado a US$ 88,91. Na máxima, chegou a subir mais de 2% e bater US$ US$ 90,03. Já o petróleo WTI (referência nos EUA) para setembro fechou em alta de 1,3%, a US$ 83,20 por barril. Incertezas com relação à reabertura do Estreito de Hormuz, rota por onde passavam 20% do fornecimento mundial da commodity, seguem alimentando ordens de compra, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Mercado já havia reagido à ata do Copom. O documento que detalha os motivos que levaram o Comitê de Política Monetária a reduzir a taxa básica de juros Selic na reunião da diretoria semana passada apontou que o órgão vai tomar as próximas decisões de acordo com os indicadores econômicos. “O Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, escreve no documento.
O documento mantém aberta a avaliação sobre os próximos passos da política monetária, sem oferecer sinais mais claros sobre a trajetória futura dos juros. Dessa forma, seguimos trabalhando com a expectativa de um corte na próxima reunião do Copom. Diogo Guillenm, economista-chefe do Itaú BBA
Inflação oficial do país para julho também ajudou a balizar apostas em mais um corte da Selic. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) subiu 0,07%, ante 0,16% em junho. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% dos 12 meses imediatamente anteriores e do teto da meta, de 4,50%.
O resultado marca o segundo mês consecutivo de inflação branda, apesar de acima do esperado. Com a atividade econômica dando sinais de moderação, esperamos que o atual processo de desinflação continue permitindo que o Copom prossiga com o atual ciclo de calibração na Selic. Esperamos cortes de 25 pontos base em todas as reuniões restantes do ano, com a Selic encerrando 2026 em 13,25%. André Valério, economista sênior do Inter
