Espremer espinha pode matar? Entenda caso de influenciador que viralizou

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Espremer espinha pode matar? Entenda caso de influenciador que viralizou

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O influenciador Ken de CG, nome utilizado por Willian Silva nas redes sociais, viralizou com um vídeo em que diz que ficou próximo da morte após tentar remover uma espinha próxima à boca. “Por causa dessa espinha […] estava com risco de dar meningite,” explicou, acrescentando: “quase fui de arrasta porque espremi uma espinha”.

Com o lábio muito inchado e risco de complicações, ele precisou ser hospitalizado e usou a experiência para conscientizar os seguidores. E muitos ficaram em dúvida: será que um ato tão simples e corriqueiro como espremer uma espinha pode mesmo causar problemas tão graves assim?

Pode surpreender, mas a resposta é sim. Mesmo que complicações capazes de ameaçar a vida sejam extremamente raras, espremer espinhas expõe a saúde a riscos de diferentes graus de gravidade. E os especialistas concordam com a sabedoria popular: o melhor é deixá-las quietinhas onde estão.

Quais são os riscos de espremer espinhas

Infecções graves são raras, mas espremer espinhas é contraindicado também porque pode deixar marcas duradouras ou até permanentes, como cicatrizes residuais da acne ou manchas na pele. A combinação da lesão com a exposição aos raios ultravioleta também pode resultar em hiperpigmentação.

Vale lembrar que a espinha é resultado de uma inflamação dos folículos pilosos, onde nascem os pelos. Ao bloquear os óleos produzidos pela própria pele, esse processo leva a um acúmulo de pus propício à proliferação de bactérias.

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Quando uma espinha é espremida, essa pequena bolsa infeccionada “estoura” e pode espalhar os micro-organismos para as áreas vizinhas. De forma menos grave, mas já incômoda, isso pode contribuir para aumentar as lesões superficiais. Mas também existe o risco de levar a infecção para camadas mais profundas da pele.

Quando o problema pode matar?

O principal agravamento de uma espinha espremida é a chamada celulite infecciosa. Ela nada tem a ver com a celulite comum, que é puramente estética e associada a uma distribuição irregular da gordura cuja causa não é muito bem definida – e que não é uma doença.

A celulite infecciosa surge quando bactérias penetram o tecido subcutâneo. O mais comum é que ela surja a partir de cortes ou queimaduras, que promovem aberturas muito mais extremas das camadas superficiais da pele. No entanto, em situações mais raras, o quadro também pode ocorrer a partir de espinhas espremidas.

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Esse problema exige tratamento com antibióticos e pode levar a agravamentos de saúde sistêmicos em função da infecção. O risco de problemas mais sérios é maior em pessoas com algum tipo de comprometimento imunológico, mas ninguém está livre de dar azar e acabar vendo o quadro se agravar, mesmo com a saúde em dia antes de desenvolver o quadro.

Risco de morte é raro, mas não é zero

Mesmo nessas situações, é muito raro chegar ao extremo de ter complicações potencialmente fatais: estudos sugerem uma mortalidade de cerca de 1% dos pacientes internados com o problema ao redor do mundo, e só um terço dos casos estaria relacionado diretamente à infecção, com os outros óbitos sendo atribuídos a questões de saúde pré-existentes.

Quando isso acontece, o processo costuma ser o seguinte: as bactérias podem atingir a corrente sanguínea e levar a quadros infecciosos em outras partes do corpo, como a meningite mencionada por Ken de CG, ou outras complicações também preocupantes como a sepse.

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Outra situação ainda mais rara que a celulite infecciosa é a trombose do seio cavernoso. Ela está relacionada à chamada “zona de perigo” da face, área entre a boca e as sobrancelhas em que os micróbios podem atingir mais facilmente os seios cavernosos, região com acesso mais direto aos olhos e ao cérebro, podendo causar problemas em ambos.

Complicações desse tipo, porém, são tão incomuns que sequer há estudos populacionais a respeito, com a literatura científica se baseando em relatos de casos.

Se você espremeu uma espinha e desenvolveu um inchaço fora do comum, ou apresenta outros sintomas como febre, procure imediatamente um profissional de saúde. Especialidades acostumadas a lidar com quadros do tipo incluem dermatologistas e infectologistas.